O maior entrave ao diálogo entre tibetanos e chineses é a visão que cada lado tem da história. A China afirma que o Tibete já era parte de seu império desde o século 13. Já o Tibete diz que funcionou com um reino independente durante séculos e que a China não exerceu sobre ele um domínio constante. Em 1912, por exemplo, os tibetanos declararam sua independência e tiveram autonomia até 1950 - quando a China voltou a conquistar a região.
E aí começa outra divergência. Os chineses dizem que "liberaram" o Tibete do feudalismo, acabando com a opressão do povo por uma elite corrupta que mesclava religião com política. E que os tibetanos nunca tiveram tanta qualidade de vida quanto hoje. Já para os lamas, a ocupação destruiu milhares de mosteiros e matou cerca de 1,2 milhão de pessoas. Especialistas estimam que o número de mortos é menor, mas chegaria a centenas de milhares. Pelo menos num ponto, lamas e autoridades chinesas concordam: o Tibete está cada vez mais parecido com o resto da China - com grandes fábricas, boates e prostitutas.
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