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A guerra da Palestina pela independência

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Autor : Maria Paganini
Resumo escrito por : marily
Visitas: 499
palavras: 900
Publicado em: novembro 12, 2007
O cenário político e econômico em Israel quando da eleição geral de 23 de julho de 1984 não era nada promissor.  A guerra entre Israel e o Líbano trouxe grandes prejuízos políticos, econômicos e sociais para Israel.  A crise econômica interna israelense piorava, com inflação chegando a 400%.  Com o Likud no poder, o Partido Trabalhista esperava obter vitória esmagadora nas eleições de 1984, fato esse que não ocorreu.  Likud e Trabalhistas atingiram um empate técnico. 
            Para conseguir a maioria no Parlamento, ambos os partidos fizeram uma coalizão estratégica, onde revezariam o poder a cada dois anos: o partido fundamentalista Likud, apegado à integridade territorial de Israel, sem abrir mão do território conquistado e o Partido dos Trabalhistas, liberais, aceitando fazer acordos territoriais em troca de paz.
Divergências internas do governo de unidade nacional foram criadas com a coalizão do Likud com o Partido dos Trabalhistas.
Em dezembro de 1987 ocorre a deflagração da intifada, revolta espontânea dos palestinos contra as condições precárias dos campos de refugiados. Um boato de um ato terrorista de um israelense contra 4 moradores de um dos campos de refugiados em Gaza provocou a ira dos palestinos que promoveram tumultos e manifestações populares contra a miséria, não sendo um movimento nacionalista.  Mas a repercussão internacional foi tão ampla que a Organização de Libertação da Palestina (OLP) não perdeu tempo em dar uma importância política para o movimento.
Essa revolta pegou Israel de surpresa. Acreditava que seu poderio militar e a dependência dos empregos dados aos palestinos pelos israelenses manteriam certa ordem. 
Em Israel, surgem opiniões antagônicas de como lidar com a intifada. O conflito demonstra ser algo mais do que simples manifestações que pudessem ser contidas através da força.  Shamir (Likud), que defendia o uso da força, é apoiado por Rabin, Ministro da Defesa de Israel. O governo decide, então, pelo uso da força.  A Força de Defesa de Israel (FDI) é instruída a agir com “mão-de-ferro e esmagar a intifada de uma vez por todas”.  A cobertura da mídia  provoca a indignação internacional pelo fato de Israel usar um exército poderoso contra uma população civil que buscava sua autodeterminação política.
A estratégia de uso da força provou ser uma escolha errada. Dentre as conseqüências que Israel teve de arcar por ter feito a escolha do uso da força está a condenação da FDI por “matar e ferir civis palestinos indefesos”, a exigência do Conselho de Segurança da ONU para apurar se as medidas severas usadas por Israel havia ferido os direitos humanos de civis, a mudança que ocorreu nas relações entre os EUA e Israel como a opinião pública americana que passa a ter simpatia pelos palestinos e o reconhecimento da OLP como parte legítima nas negociações.
As condições de vida precárias dos palestinos não foram a única causa da intifada.  A indiferença da Liga Árabe com o destino dos palestinos na sua reunião em Novembro do mesmo ano também contribuiu com o sentimento de abandono por parte dos palestinos.
Surge o primeiro esforço dos EUA para tentar solucionar o conflito árabe-israelense. George Shultz, secretário-geral da ONU elabora, em março de 1988, a Iniciativa Shultz, um pacote de propostas visando à autonomia palestina nos moldes dos Acordos de Campi David.  A Iniciativa Shultz é aceita por Peres de Israel, Mubarak do Egito e pelo rei Hussein da Jordânia.  Porém, os palestinos exigem que seja a OLP a negociar as propostas mas eles as rejeitam.  Shamir, então primeiro-ministro de Israel, não aceita uma conferência internacional recusando-se a desistir de qualquer território em troca da paz.
Israel e Jordânia foram os que mais perderam com a intifada. Em julho de 1988 Jordânia corta relações legais e administrativas com a Cisjordânia por acreditar estar lutando uma batalha perdida e por ter acumulado muitos prejuízos com os salários que ainda pagava a um terço dos palestinos da Cisjordânia.  O rei Hussein declara que a Jordânia não é palestina e que os palestinos deveriam lidar diretamente com os israelenses sobre o futuro da Cisjordânia.  Essa decisão fortalece a OLP e deixa Israel sozinho para resolver os problemas com a Organização. Além disso, em Gaza surge o Hamas, Movimento Islâmico de Resistência liderado por Ahmed Yassin.  Prometendo lutar pelos direitos palestinos sem o uso da força, o movimento é apoiado pelas autoridades israelenses que buscavam enfraquecer o nacionalismo da OLP.  Porém, já em 1994 o Hamas começa a usar bombas suicidas dentro de Israel, minando com a tática israelense de “dividir e controlar”.
            Já para os para os palestinos leigos, a intifada contribuiu com o moral, orgulho e autoconfiança da comunidade palestina, mas as condições de vida se deterioram ainda mais no decorrer da luta. Os líderes palestinos locais passaram a pressionar a OLP para buscar um acordo com Israel, pois acreditavam que só assim poderiam chegar à paz.  Quanto à população israelense, ela se dividiu. Alguns acreditavam que deveriam buscar uma solução política e outros apoiavam o uso da força para acabar de vez com a intifada. Assim como a sociedade, o governo de unidade nacional também se dividiu.
A “paralisia política” de Israel, ou seja, a falta de um partido político hegemônico prejudica o bom andamento de sua política interna e externa.  Mas os fundamentalistas judeus e árabes contribuem enormemente para o aprofundamento desses conflitos. Lutam por uma causa divina, acreditam em lugares divinos, são inflexíveis, intolerantes, dificultando o entendimento entre Israel e palestinos na busca da paz.

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