Imagine só se fosse possível reunir os papas dos grandes
descobrimentos em uma mesa redonda - o que sairia daí? Insultos?
Parece
pouco provável.
Quase todos eles eram fidalgos de educação requintada. No máximo,
discordariam em alguns pontos históricos e geográficos. Auto-elogios?
A hipótese é aceitável - a vaidade fazia parte da personalidade de
cada um deles. Preciosidades da época? Com certeza, pois eles eram as
grandes manchetes do universo dos séculos XIII A XVI.
Que tal, então, usar da
ficção, para colocá-los frente a frente e vê-los em ação, à luz de seus perfis e proezas oceânicas?
Pois aqui estão D. Henrique, Cristóvão Colombo, Fernão de Magalhães,
Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral - naipe dos mais respeitados
navegadores de todos os tempos.
Colombo, porque deu ao mundo a América. Magalhães, pelo pioneirismo
da circunavegação. Cabral, pela descoberta do Brasil. Vasco da Gama,
por ter sido o primeiro a chegar ao Oriente. E D. Henrique por ter sido
grande incentivador da expansão marítima de Portugal.
Falta-nos um âncora erudito e sereno para conduzir a mesa-redonda.
Para tanto, ninguém melhor do que aquele que cantou em versos os feitos
de nossos convidados. Com a palavra, Luís Vaz de Camões.