Na última frase de
Minha luta, Hitler exalta Dietrich Echkart, como
“o homem que como um dos melhores dedicou a sua vida à ressurreição de seu, do nosso povo, tanto no pensamento como na ação”. (Minha Luta, pág. 426, edição de 1983) Echkart era
uma espécie de sumo sacerdote da mística
Thule Gesellschaft (
Sociedade Thule). Extremamente anti-semita, Echkart morreu aos 55 anos de um ataque cardíaco, causado pela sua dependência de morfina.
Por que Hitler dedicaria seu livro
Mein Kampf a Echkart? Qual seria a relação de Hitler e do Partido Nazista com a Sociedade Thule?
Em maio de 1912 surgia a
Germanenorden (Ordem dos Teutões) durante uma conferência de ocultistas organizada pelos discípulos do místico e anti-semita Guido von List (1848-1919). List foi profundamente influenciado pelos escritos de Madame Blavatsky (fundadora da Sociedade Teosófica), via uma conspiração judia contra a raça ariana e se orientava pelo poder mágico do antigo alfabeto escandinavo. Consta entre os seus díscipulos ideológicos o padre Laz.
A
Germanenorden era um grupo de místicos baseado no príncipio da origem superior da raça ariana e do anti-semitismo. Muitos membros da
Germanenorden vieram a ocupar altos cargos no Partido Nazista. Três anos depois, Rudolf von Sebottendorff se juntou ao grupo.
Sebottendorff era um maçom, praticante de meditação, asrologia, numerologia e do Sufismo. Alguns anos antes Sebottendorff apareceu na Alemanha afirmando haver descoberto “a chave para a realização espiritual”, que era “um conjunto de exercicios numerológicos de meditação que continham pouca semelhança com o Sufismo ou a Maçoanaria”. (Mark Sedgwick, De encontro ao mundo moderno, pág. 66)
Em 17 de agosto de 1918, Sebottendorff fundou a Sociedade Thule, após receber a autorização de Hermann Pohl, um dos fundadores da
Germanenorden. No começo a recém fundada sociedade se auto-denominou
Studiengruppe für germanisches Altertum (Grupo de estudo para antiguidade germânica). Mas logo o grupo começou a se envolver com política e disseminar propaganda anti-republicana e anti-semítica.
Ao se envolverem com a política, o grupo fundou o
Deutsche Arbeiter-Partei (Partido alemão dos trabalhadores), que mais tarde se tornaria o
Nationalsozialistichen Deutschen Arbeiterpartei (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães). Do nome
Nationalsozialismus surgiria a abreviatura alemã
Nazismus. Até mesmo o jornal oficial do grupo
Münchener Beobachter (Observador de Munique), se tornaria o
Völkischer Beobachter (Observador do Povo) – o jornal do Partido Nazista.
Em 1923 enquanto cumpria sua pena na Prisão de Landsberg, Hitler foi iniciado na Sociedade Thule por Rudolf Hess. O nome
Thule, segundo as lendas de origem grega, seria a mais distante terra conhecida do Norte, um continente perdido, uma espécie de paraíso habitado por deuses. A Sociedade Thule acreditava que esta terra seria habitada pelos hiperbóreos, nos quais residiria a origem da “raça ariana”.
São várias as sociedades secretas que afirmam que esta terra era habitada pelos
hiperbóreos. A lenda dos hiperbóreos aparece também na obra
Fausto (1831), do escritor alemão Johann W. Goethe. Quando jovem, Hitler foi devoto das óperas do compositor alemão Richard Wagner, que sempre glorificava os furiosos e tenebrosos
titãs. Wagner compôs uma série de óperas baseadas nos mitos germanos. Em sua ópera
Parsifal, Wagner exalta a existência dos hipérboreos.
Entre 1883-1885, o filósofo alemão Friedrich W. Nietzsche escreveu
Assim falou Zarathustra, um livro para todos e para ninguém. Nele, Nietzsche desenvolveu uma moral anticristã e atéia, exaltando a vontade do grande indivíduo (super-homem) e celebrando a vida que sempre se renova em eterno retorno. Com base nisto, Hitler formulou a concepção da raça superior. Devemos lembrar Nietzsche começa sua obra com a frase:
“Consideremo-nos o que realmente somos. Somos hiperbóreos”.(Revista NOTÍCIAS DE ISRAEL, Pág. 5, Março de 1995)
Em 1933, Hitler ofereceu a presidência da Academia Alemã para o poeta alemão Stefan Anton George, que transmitia em seus versos a visão hinduísta de
maya, na qual tudo é ilusão. Além disso, Hitler era admirador do poeta místico alemão Gerhart Hauptmann, que havia ganho o prêmio Nobel de Literatura em1912.
O
filósofo do movimento nazista era o educador Alfred Rosenberg, também membro da Sociedade Thule, que divulgava a supremacia do povo alemão e fazia de Hitler um super-homem (como o da prosa de Nietzsche). Rosenberg afirmava que os únicos descendentes legítimos dos povos do norte (hiperbóreos) eram os alemães.
Mais resumos sobre Nazismo - O Misticismo Nazista (1ª parte)