Eu, cabo Anselmo

por : mario vinicius    

Autor : (depoimento a) Percival de Sousa
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Resumos e revisões curtas

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              Brasil, meados de março de 1964. Os cabos e marinheiros brasileiros, sob a liderança do marinheiro de 1ª classe José Anselmo dos Santos (cabo Anselmo, para a Imprensa) amotinam-se. A quebra da hierarquia é o sinal que leva o alto escalão das Forças Armadas  desencadear o golpe militar de 31 de março.
            Com o poder tomado, começa a caça às bruxas, onde o governo revolucionário persegue e prende os insubordinados e subversivos. Surgem as primeiras listas de pessoas com os direitos políticos cassados e Anselmo é um deles. Preso, consegue escapar e, após contato com elementos da guerrilha urbana em São Paulo, segue para o Uruguai, onde se encontra com líderes políticos exilados. É enviado para Cuba, onde é treinado para a guerrilha urbana a ser desenvolvida no Brasil. Volta ao Brasil no início de 1970, desenvolvendo atividades em grupos guerrilheiros.
            Preso pelas forças da repressão, durante um interrogatório conhece o delegado Sérgio Fleury. Recebe deste a proposta de ser um agente a serviço da repressão. Passa a ser o informante do DOPS. Com as informações recebidas, o DOPS captura ou executa diversas pessoas. Anselmo, depois, é enviado para o Chile, onde entra em contato com antigos companheiros que desempenham atividades para a guerrilha no Brasil. Coletando informações, volta ao País e provoca novas “quedas” de integrantes de grupos terroristas.
            Em 1971, instala-se no Nordeste brasileiro, vivendo com Soledad Barret, também militante guerrilheira que, sem saber das atividades de Anselmo junto aos órgãos de repressão, agora espera um filho seu. Anselmo não hesita em denunciar uma reunião em que a sua própria companheira estava presente. Os agentes do DOPS cercam o local e todos os presentes são mortos. A partir daí,  Anselmo sai de cena.
            Final da década de 90. O repórter Percival de Souza, após investigações, chega até Anselmo, agora vivendo sob nome falso em alguma parte do País. O ex-marinheiro, ex-guerrilheiro e ex-delator, em depoimento ao jornalista, apresenta suas razões e motivos para os seus atos, falando inclusive sobre o polêmico ato de ter entregado a própria companheira para ser morta. Um livro importante para todos aqueles interessados na história recente do Brasil.          
Publicado em: julho 19, 2007
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