Um relatório financeiro de março de 1788 mostrou que as despesas somavam 629 milhões de libras e a receita aplicada só 503
milhões. Só os juros da dívida pública ampliada pela guerra, devoravam 318 milhões de libras, além da necessidade de suprir o luxo da
nobreza com gastos supérfluos. Não podendo aumentar mais os
impostos, já altos, a estratégia foi acabar com privilégios do clero e da nobreza que, embora grandes proprietários, não pagavam impostos. Dos 25 milhões de habitantes da França, 80% eram camponeses e os outros 20 amontoavam-se em povoados de 2 mil habitantes. Paris era a exceção. Era uma sociedade dividida em estados de forma feudal de estratificação social em que cada classe tinha seus estatutos, obrigações e privilégios, modo de vida definido legalmente, bispos arcebispos e cardeais, bem diferente de Cristo, tinham vida faustosa como a nobreza e possuíam cerca de 20% de todas as terras do país. Já os padres eram muitas vezes, tão pobres quanto os próprios paroquianos. 2% da população eram plebeus enriquecidos, que compraram títulos de nobreza e seus descendentes. Se apropriando de 1/3 das rendas do país, tinham monopólio das mais altos cargos do judiciário e do exército.