A poucos dias da estréia, em Madrid, o
musical "Anne Frank: un canto a la vida" já levanta polêmica. Inspirado na história
da adolescente judia, vítima do Holocausto nazista que exterminou seis milhões de judeus, o espetáculo, segundo os diretores, pretende ser pedagógico e movimenta colégios interessados em levar seus alunos, para que conheçam a história de Anne. Contrariando produtores e outros responsáveis pela montagem, o ex-ator Buddy Elias, 82 anos, um dos poucos parentes de Anne ainda vivos, reagiu em entrevista à Agência France Press, segundo El País.com, alertando que Holocausto não é assunto para
musical. Diante da justificativa da produção de que não adota o estilo Broadway, Elias revida: se o pai de Anne, o único da família a sobreviver ao campo de concentração, ainda estivesse vivo, certamente não concordaria com a montagem. O primo Elias dirige uma organização sem fins lucrativos, na Basilea, Suiça, em homenagem a Anne. Além disso, é depositário dos direitos do
diário de Anne Frank. Mas não há como ingressar na justiça porque a montagem foi apenas inspirada na verdadeira história. O espetáculo será lançado no dia 28 de fevereiro, no teatro Häagen Dazs Calderón de Madri, e tem como protagonista principal, no papel de Anne, a menina cubana Isabela Castillo, de 13 anos, exilada. Nessa história revisitada o diário, que a menina judia carinhosamente chamava de Kitty é transformado em personagem. A Fundação Anne Frank, com sede em Amsterdã, Holanda, segundo os responsáveis pela montagem, deu respaldo ao espetáculo, acompanhando em detalhes o trabalho. O musical está orçado em três milhões de euros privados e promete correr o mundo.