Minha idéia, ao escrever este artigo, é a de fazer uma crítica psicológica do filme “Eu sou A Lenda” (I Am Legend),
estrelada pelo ator Will Smith, sem qualquer intenção de contar o filme, nem tão pouco dizer como é o seu final, portanto, meu amigo leitor, se você ainda não assistiu o filme ainda, não tenha receio de ler esta matéria até o seu final. Após assisti-lo, no entanto, deverá entender bem melhor o texto que agora dou início. Parafraseando qualquer sinopse já lida, o enredo do filme parte de um vírus modificado pelas mãos dos homens, na intenção de estabelecer a cura para algumas doenças até então consideradas incuráveis. Até aí nenhuma novidade, pois o homem sempre procurou e vai continuar procurando se colocar no lugar de Deus, só percebendo que está muito longe deste lugar quando as coisas saem do seu controle e o tal experimento, que tinha a intenção de cura, vira algo devastador. O tal vírus que parece estabelecer o final da humanidade faz uma transformação simples naqueles que o contraem: as pessoas ficam sensíveis à luminosidade e tornam-se violentos, agressivos. No entanto, esta agressividade à flor-da-pele não é
exatamente causada pelo vírus, mas sim porque o vírus fez com que as pessoas perdessem seu crivo social, ou seja, não existem mais aqueles freios da consciência que levam as pessoas a considerarem o que é certo e o que é errado. A agressividade que é demonstrada de maneira exacerbada, portanto, não é algo adquirido, mas algo que faz parte, é inerente ao ser humano. Se observarmos alguns pacientes residentes de hospitais psiquiátricos, veremos que, sem um medicamento adequado (popularmente conhecidos como “sossega-leão”), estas pessoas são agressivas ao extremo, precisando de diversos homens fortes para conte-lo. Isto se dá porque este paciente, em algum momento, perdeu o crivo social que o vírus, no filme, tira das pessoas. Sem o crivo social, os frenadores de ânimos, homens viram monstros. E se olharmos para a nossa sociedade, nosso dia-a-dia, não seria exatamente isto que estaria acontecendo? Cada vez mais somos obrigados a conviver com a
violência praticada por nós mesmos, seres humanos. Os agressores, as pessoas violentas, estão lá fora e nós, assim como no filme, somos obrigados a vivermos enclausurados em nossas casas, supostamente protegidos por nossos muros de dois a três metros de altura, cercas eletrificadas, seguranças e muitos outros apetrechos. Será que o tal vírus devastador já está se espalhando no nosso mundo? E diante de tamanha desgraça a qual a humanidade está inserida, quando nos vemos tão pequenos e incapacitados de descobrir o antídoto que vai reverter os efeitos deste vírus, nos deparamos de novo com Deus, desta vez nos sentindo completamente vulneráveis e à sua mercê, confessamos a nossa insignificância ao admitirmos que “Deus tem um plano para todos nós!” Primeiro, nos comparamos a Ele e, no melhor estilo americano, prometemos que vamos fazer coisas que não conseguiremos cumprir. Depois de feita a bobagem toda, quando tudo saiu do nosso controle, se é que um dia esteve, arremessamos toda a culpa, toda a responsabilidade, todo o mal que causamos, para o alto, cinicamente dizendo: “Pai, isto aqui é seu, toma conta!” Quem sabe, então, este vírus faça mesmo parte do plano que Ele tem para nós. É só pensarmos no seguinte: olhemos à nossa volta, ao redor do mundo e poderemos assistir todo tipo de reação que a natureza vem praticando, causadas pela ação do auto-denominado “ser humano”. O nosso mundo está entrando rapidamente em desequilíbrio. Tal desequilíbrio, todos devem concordar, é causando por quem além de nós mesmos, “seres humanos”? E o que seria necessário para a solução de todos os males do nosso planeta, fazendo com que ele, sozinho e naturalmente, alcance novamente o seu equilíbrio? Pense friamente... Seria a extinção do boto-cor-de-rosa? Ou de alguma espécie de macaco ou cobra peçonhenta? Talvez de alguma espécie de raposa ou animal felino? E o que aconteceria se houvesse a extinção de um tal bicho-homem?
Pense com tranqüilidade: O que seria do Planeta Terra, em alguns poucos anos, caso o “ser-humano” fosse extinto?
É... parece que “Deus tem um plano para nós...”
Que venham os vírus, não?
Um bom filme a todos!