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A rapariga da casa isolada (The little girl who lives down the lane)
O facto de A rapariga da casa isolada ser uma experiência cinematográfica absorvente, deve-se a “ela”,
uma pequena-grande actriz cuja maturidade já lhe adivinhava a carreira que o tempo confirmou. Jodie Foster, de seu nome, tem aqui, após curtas passagens em Alice já não mora aqui, Táxi Driver (ambos de Scorsese) e Bugsy Malone (de Alan Parker), a possibilidade de convencer acerca das suas capacidades. Prematuramente adulta, a pequena Foster beneficia dessa ausência de “vícios” característicos a qualquer criança.
O filme conta a história de uma jovem de 13 anos (Rynn/ Jodie Foster) que vive, supostamente, com o pai numa casa de campo, afastados dos olhares indiscretos das gentes da comunidade. Rynn é uma rapariga fora do vulgar, familiarizada com a solidão e dotada de uma inteligência muito acima da média. É uma autodidacta, com gostos e comportamentos desfasados da sua realidade etária (estuda hebreu, lê poesia, ouve música erudita, cozinha, fuma haxe…). Rynn é uma criança que de infantil só tem a idade. Foi a figura paterna, um poeta e tradutor, que lhe incutiu essa desconfiança fóbica em relação ao exterior (“luta contra eles como puderes. Sobrevive” – terá dito). Trata-se de uma personagem “invisível”, que levanta nos outros (e em nós) uma cortina de desconfiança. A sua aparição é constantemente adiada…
Depois há os Hallet, Cora e Frank (mãe e filho), que são os proprietários da casa e responsáveis pelo seu arrendamento. São duas figuras prepotentes que aliam a essa característica uma arrogância sem limites. Invadem a privacidade de Rynn de forma irritante e continuada. Cora não aceita a ausência sistemática do pai, bem como não aguenta a argumentação superior de Rynn. Por sua vez, Frank – Martin Sheen – é um pervertido com um casamento de fachada arranjado pela mãe. O isolamento de Rynn faz dela uma presa “fácil” para um predador sexual.
Mário, sobrinho do simpático polícia de ascendência italiana, é um jovem a quem uma enfermidade de infância pôs a coxear. Para além de cúmplice de Rynn, vai tornar-se seu amante.
Depois há uma cave que esconde mais do que frascos de compota e uma história de compromissos assumidos entre um pai e uma filha…
Um filme que poderia não ter sobrevivido se a rapariga da casa isolada fosse outra.
Publicado em: novembro 06, 2007
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