Crítica de teatro: "Inês – Gil Vicente por ele mesmo" da Cia dos Ícones Quem assistiu ao espetáculo
Inês – Gil Vicente por ele mesmo da Cia dos Ícones na quinta-feira (07 de junho) no
Teatro Maria Della Costa em sessão para convidados, presenciou uma sessão memorável, vibrante, de puro deleite teatral. Digo teatral e não artístico, o que talvez ampliasse melhor seu sentido, por ter sido aquela, belíssima exibição do que pode o teatro.
Precisa do começo ao fim a peça sustenta seu ritmo vibrante graças a um conjunto harmônico dos elementos que a compõe que culminam na interpretação espetacular dos atores. O que nos motiva na interpretação de Inês é a vida que ali se revela em cada gesto ou palavra com simplicidade bombástica. Tudo faz de Inês o espetáculo que é, a direção primorosa no encadeamento das cenas, a qualidade das intervenções musicais da magnífica banda ao vivo e até mesmo a ilusão ingênua criada pelo cenário demodé, mas é o elenco afinadíssimo de atores que faz desta montagem, linguagem contemporânea. Não porque proponha, critique ou indague mas porque se faz presente, plenamente presente, audaciosamente presente, vivaz, porque é alegre e faz rir. Resultado de uma pesquisa de 5 anos o espetáculo Inês - Gil Vicente Por Ele Mesmo é uma adaptação da peça "Farsa de Inês Pereira" do mestre português, provocando o interesse pelo entretenimento e não apenas pelo documento Gil Vicente, o primeiro autor teatral na literatura portuguesa. A Cia dos Ícones trabalhando com um público de escolas, longe dos holofotes da mídia vem fazendo a cena teatral contemporânea. Para aqueles menos interessados neste circuito "escolar" do teatro, vale a pena ousar ver Inês – Gil Vicente por ele mesmo.
(em cartaz no Teatro Maria Della Costa na cidade de São Paulo-sp)