O Dadáismo desde o principio tenta
fugir da idéia de
movimento e os seus fundadores recusam o termo Dadaísmo já
que o ismo aponta para
um movimento organizado que não é o seu. Surge durante
e como reação à I Guerra Mundial, os seus alicerces são os da repugnância por
uma civilização que atraiçoou os homens em nome dos símbolos vazios e
decadentes. Este desespero faz com que o grande objetivo dos dadaístas seja
fazer pouco caso de toda a cultura já existente, especialmente da burguesa,
substituindo-a pela loucura consciente, ignorando o sistema racional que
empurrou o homem para a guerra.
Dada reivindica liberdade total e individual, é
anti-regras e idéias, não reconhecendo a validade, nem do subjetivismo, nem da
própria linguagem. O seu nome é disso mesmo um exemplo, segundo o Tzara, não significa nada, mas ao
não significar nada, significa tudo. Este tipo de posições paradoxais e
contraditórias são outra das características deste movimento que não ter
história, tradição ou método, sua única lei é uma espécie de anarquia
sentimental e intelectual que pretende atingir os dogmas da razão.
Cada um dos seus gestos é um ato de
polemica, de ironia mordaz, de inconformismo. É necessário ofender e subverter
a sociedade. Essa subversão tem dois meios: o primeiro os próprios
textos, que embora sejam concebidos como forma de intervenção direta, são
publicados nas numerosas revistas do movimento e o segundo, o famoso Cabaret
Voltaire, em Zurique, cujas sessões são consideradas escandalosas pela
sociedade da época verificando-se frequentes insultos, agressões e intervenções
policiais.
Não é fácil definir Dada. Os
próprios dadaístas para isso contribuem: as afirmações contraditórias não
permitem um consenso já que, enquanto consideram que definir Dada era
anti-Dada, tentam constantemente fazê-lo. São conscientemente subversivos:
ridicularizam o gosto convencional e tentam deliberadamente desmantelar as
artes para descobrir em que momento a criatividade e a vitalidade começam a
divergir. Desde o início que é destrutivo e construtivo, frívolo e sério,
artístico e anti-artístico.
Embora se tenha espalhado por quase toda a Europa, o núcleo de Zurique, o mais
importante durante a guerra, é muito experimentalista e provocatório, embora
mais ou menos restrito ao círculo do Cabaret Voltaire. É aqui que surgem duas
das mais importantes inovações dadaístas: o
poema simultâneo e o poema
fonético. O poema simultâneo consiste na recitação simultânea do mesmo poema em
várias línguas; o poema fonético, desenvolvido por Ball, é composto unicamente
por sons, com predominância de sons vocálicos. Nesta última composição a
semântica é completamente posta de parte: já que o mundo não faz sentido para
os dadaístas, a linguagem também não terá de fazer.
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