ARTE CONCEPTUAL
A partir de 1965, na América e na Europa, impõem-se uma concepção da obra artística que não tem
precedentes na história da estética – a não ser, parcialmente, em algumas ideias muito ocasionais da vanguarda histórica. À primeira vista, parece tratar-se de uma atitude de cariz radicalmente idealista, para a qual o que verdadeiramente importa na obra não é tanto a sua aparência objectual, a sua execução concreta ou o dado material da sua presença, mas a ideia que está por detrás dela, que a precede e lhe dá forma.
Como demonstram as operações de On KAWARA, Joseph KOSUTH e outros, na arte conceptual a teoria ocupa o lugar da prática concreta, e o trabalho acaba por coincidir com a “reflexão sobre o trabalho”. A poética substitui definitivamente a poesia; o artista é aquele que deixa de produzir objectos e que se limita a analisar a linguagem nos seus aspectos funcionais e científicos.
Para lá do rigor quase maníaco que caracteriza os artistas acima citados, em cuja obra é muito difícil descobrir operações que não sejam meramente teóricas e construídas com uma matéria verbal, há que assinalar, por um lado, a utilização massiva da fotografia por alguns “conceptuais”, que a adoptam como meio linguístico “frio” por oposição à pintura, enquanto, por outro lado, há que atentar na vasta auréola de conceptualismo moderado (a) que em breve se cria em redor do movimento.
POESIA VISUAL
Difundida nos anos 60 e 70, a poesia visual deriva das
palavras em liberdade futuristas, mas tinge-se de novos valores conceptuais. Ao contrário da poesia concreta, que cria composições apenas com palavras, de acordo com critérios estéticos e psicológicos, a poesia visual joga com o encontro e a interpenetração de palavras e imagens. As palavras não se limitam a ilustrar as imagens, chegam mesmo a contradizê-las, para demonstrarem a sua ambiguidade, a sua falsidade ou a sua inconsistência. As obras são, na maior parte dos casos, colagens obtidas com recortes de cartazes publicitários, fotonovelas e textos da literatura popular.