O
rio Jaguari-Mirim, que abastece várias cidades da região e tem importância fundamental para a sobrevivência de muitas pessoas, encontra-se hoje em estado de total degradação. Poluição causada por esgotos domésticos e industriais, assoreamento causado pela ação das dragas dos areieiros, pesca predatória, e mau uso por irrigações agrícolas, são alguns dos casos de ataque ao meio ambiente, que ocorrem todos os dias. A situação do rio, “não é das melhores, o rio em vários pontos está degradado pelas dragas de areia. A situação só não é pior, por que São João da Boa Vista está tratando seu esgoto e cooperando com a saúde das águas do rio. O trecho mais degradado está entre casa Branca e Aguaí, onde as dragas destroem sistematicamente as matas ciliares” comentou Domingos Serezino Neto, jornalista e ambientalista aguaiano, colaborador do Jornal “Opinião” e sócio do Greenpeace, entidade internacional de proteção ao meio ambiente. “As dragas usadas corretamente, são úteis para o rio, mas se usadas em demasia, o destroem. Elas sugam areia, mas, não tendo areia no fundo do rio, empresários covardes, ordenam que os operadores das dragas, coloquem o "chupim" do mecanismo debaixo dos barrancos, para sugarem areia de lá. Com isso o barranco e mata ciliar desabam para dentro do rio” acrescentou Neto. Um dos órgãos que visam a preservação do rio é o CIPREJIM – Consórcio Intermunicipal de Preservação da Bacia do Rio Jaguari-Mirim, que dependeria de verbas estaduais para construção de estações de tratamento de esgoto, porém, seus participantes estão sempre aguardando, sem nunca obter verbas dos órgãos públicos. “Existia a promessa de que viria dinheiro para o tratamento de esgoto em várias cidades, porém isso nunca ocorreu”, afirmou José Maria Bortolucci Lobo, ex-prefeito de Aguaí, município que faz parte do consórcio. “O CIPREJIM sempre teve dificuldades financeiras e a única coisa que funciona, de fato, é o viveiro de mudas em São João da Boa Vista”, complementou Lobo. A Polícia Militar Ambiental, também tem um papel importante na proteção dos rios, porém suas ações não têm se mostrado muito eficazes. As ações que visam coibir a destruição ambiental são inócuas, sendo que existem notícias de que a corrupção grassa no meio, protegendo os destruidores que precisariam ser punidos. “A Policia Militar Ambiental tem este papel, de proteger o meio ambiente, juntamente com outras autoridades, como a promotoria pública. Creio que se eles quiserem, eles podem barrar o trabalho das dragas e dar a recuperação que o rio precisa. Temos que denunciar de todos os lados, para que os maus, sejam punidos. Quanto mais alertarmos as autoridades, mais dificultaremos as coisas, para os agentes criminosos”, disse o jornalista. “Se cada membro da sociedade fizer sua parte, estaremos livre destes criminosos. Somente uma mobilização em massa pode acabar com tudo isso” complementou. Um rio que faz parte da História de vários municípios, está com seus dias contados. A falta de ação imediata pode comprometer o futuro de todos, principalmente por que as águas que abastecem nossas cidades são oriundas diretamente do Jaguari ou de seus afluentes, sendo de vital importância para o desenvolvimento dos municípios que o margeiam. Hoje, o Rio Jaguari-Mirim e seus afluentes pedem socorro. O rio, que fez surgir as cidades, está sendo poluído e destruído pelas próprias, para as quais tanto representa.
Um rio muito importante para vários municípios em dois estados O rio Jaguari-Mirim nasce no Estado de Minas Gerais, mais precisamente no Morro do Serrote, no município de Ibitiura de Minas. Toma a direção Leste-Oeste e entra em solos paulistas, por Santo Antonio do Jardim, curvando-se de sudeste para noroeste, atravessando o município, banhando de São João da Boa Vista, cortando a cidade. Ao atingir as terras de Vargem Grande do Sul, muda bruscamente seu rumo para o sul, servindo como fronteira entre Vargem Grande do Sul e São João da Boa Vista. Caminha serpenteando as terras de Aguaí, e desagua no Rio Mogi-Guaçu, pela margem direita. Isto ocorre na região localmente chamada de "Sete Lagoas", próximo aos municípios de Leme e Pirassununga. O alto curso do Jaguari-Mirim apresenta muitas quedas e corredeiras, pois as rochas cristalinas afloram ao longo de sua calha. É um rio de planalto, no entanto, apresenta belos exemplos de meandros (1), principalmente ao atravessar o município de Andradas. A geomorfologia (2) dá a estes meandros o nome de "meandros encaixados" e são diferentes dos meandros típicos dos rios de planícies, que possuem aspectos e origens diferentes. Pela qualidade do barro e da areia de seu leito, muitas olarias e portos de extração surgiram ao longo das margens do Jaguari-Mirim. Este material ajudou a construir, praticamente todas as casa e prédios das cidades ribeirinhas. Suas margens e pequenas ilhas servem, como locais para lazer, pesca e mergulhos. Pela característica do rio, apenas alguns locais ainda são usados para natação pela população, embora, já não sirva para este fim devido ao alto grau de poluição por coliformes fecais, só podendo ser usada para abastecimento doméstico após tratamento primário. Suas águas também são usadas para irrigação agrícola.
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