Na - Carta ao Leitor - publicada pela revista Veja de 14 de março último, há uma comunicação que merece destaque.
A revista avisa, que apesar dos dicionaristas como o Aurélio e o Houaiss, aconselharem o uso de capitular quando a
palavra - estado - for usada na acepção de nação politicamente organizada, Veja acha que vale a pena contrariá-los e comunica que a partir de 14 de março começará a grafar a palavra em minúsculo. Alega a mesma que cidadão, contribuinte, povo, sociedade, indivíduo, pessoa, liberdade, instituições, democracia, justiça são escritas com minúscula e estado, se grafada com maiúscula, poderia simbolizar uma visão do mundo distorcida, de dependência do poder central, de fé cega e irracional na força superior de um ente capaz de conduzir os destinos de cada pessoa (como um Deus, talvez). Acredita a revista que está dando uma contribuição ao grafar estado e não Estado, pois demolirá a noção disfuncional de que se pode esperar tudo de um centralismo provedor. Avisa também que não grafará Eu em maiúsculo, como na lingua inglesa, significando aí a entronização simbólica do indivíduo e não tirará a capitular da palavra Deus e conclui justificando que esta é uma tentativa de refletir uma dimensão mais equilibrada da vida em sociedade, como a proposta pelo poeta francês Paul Valéry: se o estado é forte, esmaga-nos. Se é fraco, perecemos.
Não sei se partindo de uma simples grafia de palavra haverá reflexão por parte do cidadão da dimensão mais equilibrada da vida em sociedade, como alega a Veja. Gerará também polêmica entre os linguistas mais ortodoxos, políticos e até mesmo por parte do povo, mas a lingua está sempre em movimento e a justri da revista não deixa de merecer destaque e crítica cabendo um resumo neste shvoong.