América“Tão afáveis, tão pacíficos,são eles, que juro a Vossas Majestades que não há no mundo uma nação melhor. Amam a seus próximos como a si mesmos, e sua conversação é sempre suave e gentil, e acompanhada de sorrisos, embora seja verdade que andam nus, suas maneiras são decentes e elogiáveis.” - Cristóvão Colombo em carta aos reis Católicos de Espanha. Entender, compreender, aceitar. Entender não significa somente compreender, muito menos aceitar. Tem mais o sentido de ter a experiência ou o conhecimento de ou de algo, ser perito ou prático sobre alguma coisa, deduzir, fazer conclusões, depreender, achar, pensar,julgar, alcançar o significado, o sentido da idéia, ouvir, meditar, cogitar, desvendar algum mistério, compreender é a faculdade que as pessoas têm de perceber, entender ou alcançar as intenções ou o sentido de algo, abranger algum conceito até a sua essência, ainda que não na sua totalidade e aceitar é consentir em receber uma informação, estar de acordo com, concordar com, anuir, conformar-se com
um fato ou circunstância, dar crédito a, ter como bom, certo e verdadeiro, acreditar, manifestar anuência. Ou seja: o ponto final. Se entender pode significar ter a experiência, compreender é alcançar as intenções desta experiência, entretanto não significa, necessariamente, a aceitação desta experiência. São conceitos, apenas filológico de Aurélio Buarque de Holanda. A atitude dos europeus a partir do século XV perante o recém descoberto Novo Mundo, não pode ser entendida por nós, hoje cidadãos pós-modernos, do terceiro milênio. Nem aceita, muito menos. Podemos apenas tentar compreender suas atitudes e seus gestos e que levou a destruição de toda uma geração, dona de uma riqueza cultural sem precedentes. Se para vencer Francisco I e receber a espada de Carlos Magno, Carlos V teve de comprar os sete jurados para se eleger ao Sacro Império, da onde tiraria tanto ouro para resgatar as letras de câmbio de sua dívida? Sabemos que o homem europeu vinha de uma cultura tosca medieval, onde a brutalidade falava mais alto. Os Templários, para citar um só exemplo, usavam de toda a força disponível para combater os infiéis e guardar os domínios da cidade Sagrada, da Terra Santa e, ainda, em nome de um “deus”! E quem não estivesse sob os domínios desse “deus” nem homem era, então tudo era permitido. A todo custo, defendia, como ainda hoje defende, a propriedade. Tudo se fazia, como se faz ainda hoje, para consegui-la. Não importava, e não importa ainda hoje, o preço. Como outrora já citei, de medieval o homem em nada mudou, apesar das evoluções dos tempos. Se a conquista espanhola às Américas levou à crise geral das culturas submetidas e em alguns casos, como nas Antilhas, gerou o completo desaparecimento de povos como os Arawak em outros, como no México ou no Peru, ainda que não tenham eliminado por completo a população indígena, provocou alterações e deformações profundas no modo de vida dos povos “conquistados”. “Descartemos, de imediato, a chamada tese homicida, ou seja, a suposição de que a crise decorreu de uma ação deliberadamente genocida dos espanhóis.” (Vainfas, Ronaldo. Economia e Sociedade na América Espanhola.Rio de Janeiro: Edições Graal, 1984, p.40. Na mesma página e no mesmo texto, cita que em menos de cem anos (1519-1605) a população mexicana caiu de 25 milhões para cerca de 1 milhão, apesar das poucas ou quase nenhuma resistência. E o fato se repetiu no Peru, com números semelhantes, ainda que não se referiu ao restante da América do Sul, como no caso do Brasil, onde para nos redimirmos conosco mesmos, parece que absolvemos a fúria portuguesa ante os tupinambás durante a colonização ou por que esquecer Dee Brown ao nos lembrar sobre o velho oeste, pedindo que lhe enterrem o coração na curva do rio. “este não é um livro alegre, mas a história tem um jeito de se introduzir no presente, e talvez os que o lerem tenham uma compreensão mais clara do que é o índio americano, sabendo o que foi... o índio era a ameaça negra dos mitos, e, mesmo que soubessem escrever em inglês, onde encontraria um impressor ou um editor?” - Brown, Dee. Enterrem meu coração na curva do rio; tradução Geraldo Galvão Ferras. Porto Alegre: L&PM, 2003, p.10. se isso não é um verdadeiro "homicídio", "mulhericídio", "velhicídio", "criancicídio", somente para ironizar a ilustração, se não é o que merece, não da pra acreditar que tal fato processou. O ouro, a prata e as pedras preciosas rechearam os cofres dos europeus, deram mais vigor à conquista de territórios, na ganância pela posse da terra, a cana de açúcar mercantil e o sangue dos gentios do novo mundo encheu os cálices de aventureiros embriagados ao sabor das conquistas.“ Se Balboa perdeu a cabeça, Cortez morreu desamparado, Pizarro foi perfurado por espada e Souto ardeu em febre, nem todo o ouro que bebeu Mendonza foi o suficiente para lavar a alma de Ataualpa, Montezuma e os milhões”. Luiz Osório Paim Pereira.
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