A contradição existente entre a belicosidade e o enfraquecimento das tensões sociais nos séculos XII e XIII, remete o cavaleiro à necessidade de adequar-se a uma nova realidade social. A complexidade dos meios sociais e mentais intercalando-se num mesmo contexto levam praticamente a uma compreensão do objeto de estudo como um todo. Do ponto de vista cultural erepresentativose pretende trazer a tona essa discussão. Atribui-se o processo de transformação mental, a grande influência que a literatura exercia sobre a mentalidade da nobreza, sendo ela a grande fomentadora desta mudança. Percebe-se que os preceitos morais, os quais são responsáveis pelas mudanças da mentalidade, estão intrinsecamente ligados a casta dominante. Esse pensamento voltado à exaltação do ideal cavalheiresco vem ao encontro dos anseios dessa casta que precisava legitimar-se e conseqüentemente, educar esses jovens cavaleiros para a posteridade.Chrétien de Troyes é considerado por muitos estudiosos como o grande responsável por introduzir uma mudança de mentalidade nas cortes aristocráticas de toda a Europa. Para isso, fez uso de sua mais importante arma, a literatura, a qual recebeu função pedagógica para toda a sociedade, principalmente para aqueles que almejavam à cavalaria. Estes “aspirantes” tinham nos romances de aventura praticamente um “manual” de vida.
Como adaptar a violência e a prática cortesã a fim de regulamentar essa nova mentalidade? Somente através de competições que pudessem alternar esses sentidos. Sendo assim, os torneios passaram a ser uma instituição característica do mundo da cavalaria, embora reprovados pela Igreja, floresceram durante a segunda metade do século XII, bem como, durante todo o século XIII. Não é absurdo acreditar que eles foram imaginados como treinamento e como substituto da guerra em uma época em que o fortalecimento da autoridade real e principesca começa a limitar os conflitos locais, as querelas senhoriais e a insegurança “feudal”, assim como os benefícios guerreiros resultantes deles. Tanto na França como na Inglaterra não era bom ter guerreiros ociosos.
O código de cavaleiro, instrumento de adequação, torna-se então um importante objeto de estudo, pois nele estão descritos alguns dos princípios fundamentais a essa nova conduta, que agrega valores morais fundamentais para o período (século XII e XIII), assim como para os nossos dias. Dessa forma, julga-se a importância desse trabalho, através do resgate de sentido e significação da designação a fidelidade, lealdade, generosidade e mutualidade, aspectos tão importantes no medievo, que permanecem, hipoteticamente, como fundamentais na conduta do cavalheiro contemporâneo.
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