A canção que todos cantam. Gonçalves Dias em “Canção do Exílio” segue os moldes do ideal romântico, cultuando a saudade de sua terra natal. Em seguida, outros autores parafrasearam-no, dentre eles Casimiro de Abreu, que sob o clima ultra-romântico, lança mão do tema concernente à saúde para relembrar a infância; os modernistas Oswald de Andrade e Murilo Mendes; onde o primeiro faz uso da paráfrase procurando dessacralizá-lo para repô-lo no uso imediato, declarando o seu amor a São Paulo (bastou ir à Europa e ter a feliz idéia de cantar o “exílio de férias”, após regressar-se); o segundo, de forma irônica, canta-nos um
poema sob uma boa dosagem de humor, sem perder de vista o caráter político e social para nos revelar a realidade do nosso país, quanto a valorização dos produtos estrangeiros e a negação daquilo que produzimos. No pós-modernismo,
encontramos Carlos Drummond de Andrade fingindo esquecimento com uma bonita e singela homenagem a Gonçalves Dias. Na contemporaneidade encontramos a canção de Gonçalves Dias cantada aos moldes da paráfrase com Chico Buarque de Holanda e Tom Jobim, moldurada de sentimentos saudosistas - não à
pátria – mas à mulher amada. Finalmente, entre tantas paródias do “exílio”, encontramos recentemente a do Jô Soares, que de forma cômica e jocosa canta-a ao Presidente da República, vítima do impeachment, Fernando Collor de Mello.
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