As pessoas que trabalham com fotocopiadoras realmente lêem mais, e já no início do filme sentimos a avalhanche de situações
verossímeis que é tão própria do cinema brasileiro. Aliás, bem no iniciozinho, na cena do supermercado, já nos familiarizamos bastante. Quem vive da alegria de ser brasileiro, acaba tendo que se dar conta da sua “precariedade econômica” ao entrar nos santuários de consumo: shoppings e supermercados.
Uma das situações normalmente presentes na vida dos homens brasileiros pobres é a linha condutora do enredo: André (Lázaro Ramos) quer conquistar Silvia (Leandra Leal), uma garota que ele observa da janela do seu quarto pelo binóculo que comprou economizando por um ano. Marinês (Luana Piovani), colega de trabalho de André, sonha em conhecer um homem que mude a sua vida, que segundo ela deve ser bonito e ter
dinheiro. Ela filosofa: pai pobre é destino, agora marido pobre, é burrice. Pobreza ou é destino, ou é burrice. Aí aparece o Cardoso (Rogério Cardoso). Ele fica dando em cima da Marinês, mas ela é categórica: com ele não fica por que é um duro, como ela, e além do mais é baixinho. E depois é fumante, e ela não gosta do gosto em beijo.
Na continuação André segue Silvia para saber onde ela trabalha. Um dia resolve entrar na loja, mas sem assunto, pergunta quanto custa um chambre, para presentar a mãe pelo aniversário. Custava 38 reais, que obviamente ele não tinha, mas foi embora pensando em uma maneira de conseguir a quantia.
Tentou com o Cardoso, mas nada. E tinha chegado na loja uma máquina de copiar colorida, e seu patrão o pediu para ele pagar uma, lhe dando cédulas, entre elas, uma de 50 reais. Não hesitou. Pediu ao patrão para ficar até mais tarde e fechar a loja com a desculpa de descobrir sobre o funcionamento da nova máquina. Conseguiu a cópia da nota com dificuldade, já que os dois lados da cópia precisavam se encaixar com perfeição.
Trocou a nota e uma lotérica para não levantar suspeitas e conseguiu comprar o chambre. Tudo isto para impressionar Sílvia.
Daí em diante as coisas viram uma bola de neve. André por mais algumas vezes usa o mesmo artifício para levantar dinheiro. A Marinês e Cardoso também se envolvem na história. Mas as coisas não fogem do controle, juntos eles conseguem ganhar um bocado de dinheiro e ir embora para o Rio de Janeiro. E o mais legal. A Sílvia fica com o André, e a Marinês com o Cardoso.