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Mário DE ANDRADE (1893-1945)
normal;">Mário Raul de Morais Andrade é o outro nome de proa do Modernismo. Sua participação na Semana de Arte Moderna foi tão significativa que a crítica lhe conferiu o título de "papa do modernismo brasileiro", vendo nele a principal figura do movimento. Contudo, embora representativa e importante, a obra de Mário não possui o "sentido de despojamento, de redução, de síntese, como a que distingue a poesia
Pau-brasil, de Oswald de Andrade". E é exatamente por isso que reinvidicamos para Oswald a primeira posição na revolução modernista. Porque Mário, apesar de introduzir alterações semânticas profundas no verso, através de construções incomuns, não questionou a retórica em suas bases. Seu verso, em regra, fluía longo, dotado de um componente simbolista que o autor jamais superou, um tanto quanto distante do super-imprevisto e chocante verso de Oswald. Entretanto, Mário de Andrade também conseguiu ser diferente, revolucionário e inovador.
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normal;">O primeiro livro de Mário,
Há uma gota de sangue em cada poema, é ainda bastante declamatório. Por isso, nele palpita um sentimentalismo retórico acentuado, mesmo porque apareceu em 1917, época em que as idéias reformistas eram apenas um embrião. Já o seu segundo livro,
Paulicéia Desvairada, de 1922, anuncia vigorosamente o modernismo marioandradino, e é responsável, inclusive, pelo entusiasmo que tomou conta de Oswaldd de Andrade, que via na obra a confirmação de seus próprios postulados estéticos. Neste livro já aparecem poemas bastante representativos como o Ode ao Burguês e
As Enfibraturas do Ipiranga, de nítida feição revolucionária. Além do mais, Mário introduz o livro com o famoso "Prefácio Interessantíssimo", verdadeira plataforma de ação estética. Ali estão expostos alguns princípios interessantes, que traduzem a posição do autor diante daquilo que ele entendia como poesia. Para Mário, a poesia não era uma simples inspiração que envolveria o poeta em determinados momentos. Caberia ao artista, feito o poema, submetê-lo a um olho crítico rigoroso, aparando o desnecessário, as repetições fastientas, o sentimentalismo gratuito, de pormenores inúteis ou inexpressivos.
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normal;">Outro aspecto importante, exposto no "prefácio", é a teoria do verso harmônico" e da "
polifonia poética". Conhecedor profundo de música, Mário como que aglutina esta arte com a literatura para criar essa "teoria engenhosa". E ele o faz contrapondo o verso melódico (que, até então, aparecera nos poemas) com o verso harmônico. O verso melódico seria a linha horizontal, contendo pensamento inteligível. Mário exemplifica o verso melódico:
"Mnezarete, a divina, a pálida Phrynea
Comparece ante a austera e rígida assembleia
Do Areópago supremo ... "
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normal;">Em seguida, o poeta explica o verso harmônico, como aquele em que se alinham "palavras sem ligação imediata entre si: estas palavras, pelo fato mesmo de se não seguirem intelectual, gramaticalmente, se sobrepõem uma às outras, para a nossa sensação, formando, não mais melodias, mas harmonias". Caracterizando a harmonia como combinação de sons simultâneos, dá ele um exemplo:
"Arroubos ... Lutas ... Setas ... Cantigas ...
Povoar! ... "
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normal;">Em síntese, as palavras atuariam no sentido de ficarem vibrando nO ar, sem ligação, sem complemento, exigindo, pois, uma atenção dobrada para situá-las no verso. “Assim, em vez de melodia (frase gramatical) temos acorde harpejado, harmonia, - o verso harmônico". Desse' modo, ao invés de serem usadas apenas palavras soltas, o poeta usaria também frases soltas, que provocariam o mesmo resultado de superposição, finalmente, usando o verso melódico e o verso harmônico, obter-se-ia o que Mário chama de polifonia poética. E ele próprio nos dá um exemplo tirado do
Paulicéia Desvairada:
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"São Paulo é um palco de bailados russos" (verso melódico) normal;">
"
A cainçalha... A Bolsa... As jogantinas" (verso harmônico)
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normal;">O resultado é a polifonia poética que, no fundo, é a quebra do nexo previsto, que traduz a surpresa e provoca o inusitado; à moda modernista.
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normal;">Em 1925, Mário publica
A Escrava que não é Isaura, que reflete suas idéias por volta da Semana de Arte Moderna.
normal;">Em 1926 sai
Losango Cáqui, em que aparecem poemas de profunda elaboração, numa mistura de técnica e lirismo. "O livro é realmente um hino às sensações", embora alguns de seus companheiros o acusassem de nele, Mário escrever tudo quanto lh