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Carlos Drummond de Andrade: Primeira linha.
normal;">Carlos Drummond de Andrade é uma das maiores expressões da literatura brasileira de todos os tempos: Poeta maior, sua obra, iniciada com “Alguma Poesia”, em 1930 e mostrou uma
macrovisão raramente alcançada pela maioria dos poetas.
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normal;">De certa forma, é difícil traçar as características gerais da poesia de Drummond, uma vez que, a cada livro, o poeta se renovava, e essa renovação é tão significativa que, muitas vezes, parece indicar uma ruptura com o que já fora escrito. Ao se confrontarem os diversos livros que compõem a sua abundante produção, percebe-se o ciclo evolutivo, pois que eles parecem ser livros distintos, de poetas também distintos. É por isso que Wilson Martins disse, com muita propriedade, que “a obra de Carlos Drummond de Andrade cresce por aluvião; mas cada edição coletiva dos seus poemas erteerra uma fase e abre outra; cada uma delas é, ao mesmo tempo, um balanço e um testamento, se não, de certa forma, um repúdio (pelo menos cronológico)".
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normal;">Mesmo em sendo assim, duas grandes linhas podem ser demarcadas na obra do poeta de Itabira: a primeira abrange as suas produções iniciais, constantes de “Alguma Poesia” (1930), “Brejo das Almas” (1934), “Sentimento do Mundo” (1940) e “A Rosa do Povo” (1945).
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normal;">Nesta fase, o que se nota é o poeta inclinado para o ser humano preocupando-se com o posicionamento do homem diante das perplexidades da vida, ao mesmo tempo em que procura, através de uma visão universalista, extrair de seus versos todo um sentimento de solidariedade humana. Sua temática, nesse ponto, é bastante definida, mostrando uma preocupação no sentido de oferecer uma “medida internacional na solidarielade de construção de um novo mundo".
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normal;">Nestas produções, Drummond é um poeta muito próximo dos descoroamentos que tanta celeuma causaram quando da revolução moder,nista. Assim, sua técnica de composição consiste sobretudo na perturbação das formas líricas tradicionais, onde deparamos solecismos tais como o uso inadequado do verbo “ter" no lugar de “haver": no meio do caminho tinha uma pedra; é também de se notar a corrupção de certas palavras como quirieleisão (por Kyrie Eleison), ponhamos (por suponhamos), além de construções avessas às normas linguísticas como a locução que nem, ou a expressão eta vita besta. Para completar, seria necessário lembrar o uso de estrangeirismo como gauche, sweet home, meeting, tudo muito contrário àquilo que postulam os puristas. Todavia, faz-se necessário esclarecer que tais produções ressaltam um fato muito importante, que é a realidade lingüística existente no Brasil.
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normal;">Entretanto, é bom frisar, tais dissonâncias não devem ser atribuídas apenas à irreverência da revolução modernista, mas valem, sobretudo, pela intenção de se criar uma expressão poética que explicite certas ambiguidades que despertam o leitor de seu bem comportado alheamento obrigando-o a participar de um processo envolvente que caracteriza a poesia da era tecnológica.
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normal;">À medida que se analisam os poemas desta primeira linha drummondiana, pode-se notar que se instala, aos poucos, o famoso binômio humor/ironia, sem dúvida a viga-mestra de toda a obra do poeta. O que se observa, então, é a quebra do ritmo interno das palavras relacionadas, sugerindo a idéia através do conceito inadequado. Na ironia há uma violenta oposição entre b que está dito e o que foi pensado, fato que intensifica o significado a que se refere a construção, caracterizando uma afirmação que é o contrário do que é tido e sabido, como nos versos abaixo:
“A bomba
pondera com olho neocrítico o Prêmio Nobel".
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normal;">Já o humor caracteriza-se por forçar uma comparação absurda ou extravagante, uma situação ilógica, como nos versos
“os bigodes somam-se de macarrão"