A primeira parte do livro é composta por seis crônicas sobre educação. O autor relata na crônica inicial, que a curiosidade
é a coceira que dá no cérebro, Afirma, que todos os homens, enquanto crianças têm, por natureza, desejo de conhecer. Para as crianças o mundo é um vasto parque de diversões. As coisas são fascinantes, cada coisa é um convite.
Em uma outra crônica, o autor expõe seu pensamento de que as escolas fazem as crianças aprenderem aquilo que elas não querem aprender. As crianças têm muitas curiosidades e cabe a escola, ao professor levar a sério as perguntas que as elas fazem do que as respostas que os programas querem fazê-las aprender. O autor opina que as perguntas que fazemos revelam o que queremos aprender. As perguntas que os alunos fazem revelam uma sede imensa de conhecimento. O autor se preocupa com aquilo que as escolas faziam com as crianças, mas agora se preocupa com aquilo que as escolas fazem com os
professores, pois estes perderam a curiosidade em buscar, em conhecer, isso devido aos programas que devem seguir. As instituições são criações humanas. Podem ser mudadas. E se forem mudadas os professores aprenderão o prazer em ter curiosidade e fazer perguntas.
Numa outra crônica o autor diz que há muitos anos sugeriu que para se entrar numa escola, alunos e professores deveriam passar por uma cozinha. Pois assim como precisamos ter fome para comer, é preciso os alunos e os professores ter estímulos para aprender e ensinar. Ele afirma que toda experiência de aprendizagem se inicia com uma experiência afetiva. Para o cérebro pensar é preciso estímulos. A tarefa do professor é a mesma de uma cozinheira: antes de dar a faca e o queijo ao aluno é preciso provocar a fome.
Em uma outra crônica, Rubem Alves aborda sua preocupação em os professores estarem sempre conversando e discutindo sobre programas e pesquisas, deixando de citar no motivo pelo qual estão trabalhando na escola: os alunos. O autor destaca sonhar com o dia em que os professores terão mais prazer em falar sobre os alunos.
Outra crônica do de Rubem Alves revela que o aluno aprende o que não gosta por amar, por gostar. Quando se admira um mestre, o coração dá ordens à inteligência para aprender as coisas que o mestre sabe. Saber o que ele sabe passa a ser uma forma de estar com ele. Aprendemos porque amamos, aprendemos porque admiramos.
A importância do brinquedo para a aprendizagem das crianças está evidente na crônica Brincando que se aprende. O autor afirma que há brinquedos que são desafios ao corpo, à sua força, habilidade, paciência. E há brinquedos que são desafios á inteligência. A inteligência gosta de brincar. O brinquedo é tônico para a inteligência. Mas se ela tiver que fazer coisas que não são desafios, ela fica preguiçosa e emburrecida. Porém brinquedo pra ser brinquedo, tem de ser um desafio. Brinquedos comprados em lojas não são brinquedos por não oferecerem desafio algum. Todo conhecimento científico começa com um desafio. A tarefa do professor é entortar a sua disciplina e transformá-la num brinquedo que desafie a inteligência do aluno. Mas, para isso, é preciso que o professor saiba brincar e tenha uma cara de criança ao ensinar.
Na segunda parte do livro, Rubem Alves relata sobre a Escola da Ponte: a escola dos nossos sonhos.
O autor inicia esta parte contando como se apaixonou pela Escola da Ponte, em Portugal, um lugar único, onde alunos e professores convivem como amigos na fascinante experiência da descoberta.
Rubem Alves relembra que as crianças são curiosas naturalmente e tem o desejo de aprender. E que o interesse natural desaparece quando, nas escolas, a sua curiosidade é sufocada pelos programas impostos pela burocracia governamental.
Durante sua vida, o autor conta ter estado à procura da escola que daria asas à curiosidade. E de repente encontrou a escola de seus sonhos e se apaixonou.