Gonçalves de Magalhães X
Gonçalves Dias. Ou “A Confederação dos Tamoios" X
"Canção do Tamoio". Gonçalves
de Magalhães e Gonçalves Dias apesar de terem suas literaturas voltadas ao indianismo, à natureza e à Pátria, possuem pontos de vista divergentes. Enquanto este ressalta o índio dizendo-o digno e valoroso em sua realidade, aquele o põe em uma posição de inferioridade, onde apenas em mundos distantes teria paz. Em seu poema "A Confederação dos Tamoios", que fala sobre a reunião dos chefes dos índios Tupinambás da região do litoral paulista e sul fluminense, após a revolta ante a ação violenta dos portugueses contra eles, Magalhães coloca a realidade do índio como uma luta em prol da sobrevivência; sem paz eles sonham com um paraíso nunca dantes imaginado, onde apenas a harmonia e a beleza reinam. Em contrapartida, Dias, em seu poema "Canção do Tamoio", que retrata o nascimento de um índio, cuja imagem personifica a de um verdadeiro herói (clone do cavaleiro medieval das novelas européias românticas), desenvolve o tema indígena fazendo uso de lendas e mitos, conflitos e amores, valorizando e exaltando o índio. Ambos os poemas são de foco
indianista, a única mudança seria o modo como os indígenas são tratados pelos poetas. Enquanto Gonçalves de Magalhães considera o índio como "bárbaro ou selvagem", Gonçalves Dias o considera como um "bom selvagem” (uma referencia a Rousseau). Em se tratando da forma são completamente diferentes já que aquele está ainda preso aos padrões clássicos, enquanto este buscou captar a sensibilidade e os sentimentos do povo indígena, expressando uma linguagem simples e acessível, utilizando-se das métricas do Romantismo. É de levar em conta que, para a literatura brasileira, tanto os poemas de Gonçalves de Magalhães, quanto os de Gonçalves Dias, acerca do indianismo são maravilhosos, repletos de características e visões próprias, o que é comum na literatura à subjetividade. A literatura se sustenta através de suas teorias e, toda teoria surge a partir de novos fatos.