Edgar Alan Poe pareceu caminhar na contramão da evolução/revolução da
estética quando, em pleno auge do predomínio da imaginação
sobre a razão no campo artístico, cuja expressão maior era o Romantismo, escreveu o
ensaio "A Filosofia da Composição" para defender uma
estética racional. Nesse ensaio, ele explica como confeccionou o seu célebre poema "O Corvo". A explicação é uma teorização estética válida, segundo suas próprias palavras, tanto para o poema mencionado quanto para o restante de sua obra. Trata-se, em suma, da visão estética de Poe, para quem a arte é uma adequação de meios a fins. Nesse ensaio,ele recomenda, professoralmente, que a primeira coisa que deve ser buscada em uma construção ficcional é o epílogo, para deste se construir o texto como um todo. Há nele, portanto, uma forte carga de teleologia racionalista que tanto marcou o Iluminismo.