Foi um dos primeiros
abolicionistas do Brasil e sua influência
se fez sentir até a emancipação. Dotado de fina sensibilidade e piedade sincera pela sorte dos cativos, escreveu geniais
estrofes contra a escravatura. Seus versos
abolicionistas começaram a ser publicados quando contava 15 anos, numa época em que se considerava desperdício de tempo ocupar-se com a sorte dos negros. Aos 16 anos compôs a "Canção dos Africanos" e mais tarde: "Vozes da África', "Visão dos Mortos", "Mater Dolorosa", "Mãe do Cativo", 'Louvor a Palmares", "Navio Negreiro", "Tragédia no Mar", além de outros trabalhos em defesa do escravo. Seu grande mérito foi o de ter posto seu talento a serviço da nobre causa da emancipação, pois os seus mais felizes versos foram inspirados pela sorte dos escravos. Nasceu Antônio de Castro Alves na Bahia a 14 de março de 1847 e faleceu com a idade de 24 anos em Salvador, em 6 de julho de 1871, ainda estudante da Faculdade de Direito de São Paulo. Seu poema "Navio Negreiro" é famoso. Eis algumas de suas estrofes: ............................................ ....................................................
Era um sonho dantesco ... o tombadilho que das luzernas avermelha o brilho, Em sangue a se banhar. Tinir de ferros ... estalar de açoite... Legiões de homens negros como a noite, Horrendos a dançar ... Negras mulheres, suspendendo as tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas No turbilhão de espetros arrastadas, Em ânsia e mágoas vãs 1 E ri-se a orquestra irônica, estridente ... E da ronda fantástica a serpente Faz doidas espirais ... Se o velho arqueja, se no chão resvala, Ouvem-se gritos ... o chicote estala E voam mais e mais ... Presa nos elos de uma só cadeia, A multidão faminta cambaleia. E chora e dança ali! Outro de martírios embrutece, Um de raiva delira, outro enloquece, Cantando, geme e ri! ”