Pausânias aponta uma distinção a ser feita entre dois
tipos de amor: o amor dos homens vulgares,
voltado para o corpo mais do que para a alma, inspirado por Afrodite Pandemia, filha de Zeus e de Dione e o amor conduzido pelo respeito e pela moderação (182 a) voltado para a inteligência e para o “que é másculo” (181c).
Percorre em sua exposição questões diversas: as diferenças culturais no que se refere à aceitação das propostas dos amantes pelos amados geralmente muito mais jovens, a necessidade de uma certa regulação da relação
amorosa através de leis, a questão da escravidão na relação amorosa e mesmo a potencialidade libertária da unificação propiciada pelo amor além dos limites das relações interpessoais.
Acaba por concluir, refutando o elogio incondicional que Fedro defende, que o amor (183 d)
“não é em si e por si” belo ou feio. Depende de ser dedicado a alguém
mau ou/e de um modo mau. Deste modo uma servidão, quando voluntária e voltada para a aquisição de sabedoria não merece recriminação. Conclui que é esta a única forma de aquiescência aceitável ao
amante. (184 e)
Retorna então à distinção inicial entre os dois tipos de amores concluindo:
“Este é o amor da deusa celeste, ele mesmo celeste e de muito valor para a cidade e os cidadãos, porque muito esforço ele obriga a fazer pela virtude tanto ao próprio amante como ao amado; os outros porém são todos da outra deusa, da popular.” (185 c)
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