Indústria Cultural Paulo de Almeida Ourives A indústria cultural atualmente tem feito um trabalho
negativo perante a sociedade, na medida em que somos obrigados a engolir tudo o que as grandes indústrias produzem, e a mídia, que depende das verbas orçamentárias dessas
propagandas acaba por veicular cada vez mais propaganda, com o único objetivo, que vivamos sob o domínio dessa mídia e de uma indústria de consumo.
A sociedade hoje, perdeu os seus valores e as suas características já que a juventude vê os produtos midiáticos como modismo. Afinal quem não usa Levi’s não está na moda.
O que poucos percebem é que além da grande massa de informações e produtos à venda, a própria televisão como meio de divulgação para as grandes massas também presta um desserviço à comunidade, notadamente brasileira. Por quê?
Porque com o tamanho do nosso país e a diversidade cultural e regional específicas, a grande rede de tv, acaba mudando os conceitos do que é estar na moda, e acaba de uma vez com a riqueza cultural de cada região. Como exemplo podemos citar a indústria de telefonia celular, que com uma campanha maciça na televisão, fez com que os antigos carroceiros passassem a utilizar um celular pendurado na cintura, e esquecendo de cantar os seus “aboios”. Mas tudo isso sem falar dos jingles
comerciais.
Até há bem pouco tempo atrás, era comum vermos na tv, comerciais com jingles bem chamativos que acabam caindo no gosto popular, como exemplo posso citar, o da Varig e o da Pepsi – este último feito por Zé Rodrix e que acabou caindo no gosto popular, já que a juventude dos anos 80, saía pelas ruas cantando seus versos. Além disso, para incrementar ainda mais as vendas, uma marca de sandálias chegou a utilizar em suas propagandas músicas já conhecidas do público brasileiro. Entre estas músicas podemos citar, as de Tim Maia, “Navegador dos Sete Mares”; Lulu França, “De repente, Califórnia”; Rita Lee com sua “Mania de Você”, etc.
Desse modo, o que antes era uma riqueza cultural, como o carnaval, a folia de reis, o caxinguelê, o frevo, maracatu, boi bumbá, passou a ser visto pela mídia como uma forma de expressão e de apelo para a vendagem de produtos específicos. E cada uma dessas danças acabou se rendendo a mídia de tal forma, que àqueles que conheciam as características dessas danças se renderam aos apelos comerciais e foram modificando alguns detalhes dessas danças à medida que o tempo passava, e novos produtos eram agregados as danças. Como exemplo disso, podemos citar o carnaval baiano, que muito antes de Dodô e Osmar, era um carnaval popular, onde o público dançava e brincava de forma espontânea. Depois surgiram os trios elétricos, e quando a mídia percebeu que o carnaval baiano estava virando uma festa com os trios, passou a investir neles criando produtos novos, como o “abadá”, já que só entra e desfile nos trios quem compra um abadá, e pode brincar atrás do trio elétrico como se estivesse num camarote vip, com direito a algumas regalias, etc.
Mesmo com tudo isso, longe estamos de vermos a juventude perceber a intenção que está por detrás de cada uma das propagandas, veiculadas pelas emissoras de televisão, rádio, jornal e internet.