Tanto a linguagem, quanto a escrita, tornaram-se primordiais para o homem, capazes de identificá-lo diacronicamente no tempo
e no espaço, quanto à civilização, cultura e sociabilidade. Assim como surgiu a
linguagem e a escrita até a Idade Média, podemos dizer que os problemas relativos à linguagem foram encarados na dependência de algumas disciplinas, como a filosofia, a poética e a retórica.
O problema central que, os lingüistas ainda versam hoje em dia, consistia em estabelecer as relações entre o pensamento e a linguagem. Neste particular, ainda a estreiteza da lógica tradicional auxiliou o esforço dos gramáticos. A primeira teoria das partes do discurso não passa da aplicação das categorias de Aristóteles.
Se os fenícios criaram o alfabeto, e, posteriormente, reduziram-no em apenas vinte e duas consoantes (todo o aparato necessário para reproduzir os sons da voz humana), os gregos, fundadores da gramática deixaram agudas observações fonéticas, desdenhadas pelos imediatos sucessores, mas sempre andaram pregados ãs posições da lógica, descuraram da língua em si e só tiveram olhos para a distinção entre as formas corretas e incorretas. Ficaram no aspecto normatiivo, nos seus estudos sobre as flexões e a sintaxe da língua literária.
Platão, para quem a gramática é o estudo dos sons e de seus sinais, já distingue as vogais das consoantes mudas e médias. Aristóteles foi mais longe, tratou de nome, verbo e conjunção, de masculinos e femininos e neutros. Os gramáticos estóicos, cujas sutis extravagâncias passaram à história, inventaram uma nova classe, que compreendia o pronome e o artigo, anteriormente confudido com a conjunção. Coube a Crisipo a divisão dos nomes próprios e apelativos. Antípater de Tarso é o pai do advérbio. Com tudo isso, Dionísio da Trácia pôde distrinchar as oito partes do discurso.
Assim como a gramática grega era ensinada em Roma no tempo de Pompeu, houve alexandrinos que professaram a sua ciência nas escolas romanas e que a transmitiram aos bizantinos. Todavia, cumpre salientar a Crisolaras, cuja gramática foi o guia principal dos ocidentais. Rigorosamente, não houve
lingüística na antigüidade.