Sociedades carnavalescas.
As grandes sociedades que apareceram na segunda metade do século XIX não se limitavam aos desfiles carnavalescos. Seu prestígio se apoiava também em atividades sociais e políticas. Os integrantes das sociedades eram cidadãos participantes da vida nacional, abolicionistas e republicanos, e os grandes clubes funcionavam também como sociedades literárias e musicais. Nos chamados carros de crítica, tomavam posição contra abusos e erros das autoridades ou a propósito de questões em que a coletividade estivesse empenhada.
O Congresso das Sumidades Carnavalescas foi responsável pelo primeiro desfile do gênero, em 1855. Surgiu logo depois a União Veneziana, de curta duração, e duas dissidências do Congresso das Sumidades: a Euterpe Comercial e os Zuavos Carnavalescos. Os Tenentes do Diabo desfilaram em préstito pela primeira vez em 1867 e fizeram história como uma das mais populares sociedades carnavalescas. Seus aficionados eram chamados baetas. Outras sociedades muito populares foram os Democráticos, cujos admiradores se chamavam carapicus, e os Fenianos, cujo nome é uma referência aos revolucionários irlandeses que lutavam contra os britânicos, aplaudidos pelos "gatos". A Embaixada do Sossego, o Clube dos Embaixadores, os Pierrôs da Caverna, o Clube dos Cariocas e os Turunas de Monte Alegre também saíam em préstitos, formados por batedores, carro abre-alas, uma comissão de frente montada, um carro-chefe, carros alegóricos e de crítica e banda de clarins.
Escolas de samba.
A Deixa Falar, do bairro do Estácio, que reunia os sambistas Nilton Bastos, Ismael Silva e Alcebíades Barcelos (Bide), foi a primeira escola de samba do
rio de Janeiro, fundada em 1928. A praça Onze foi eleita pelos sambistas para as concentrações nos domingos e terças-feiras de
carnaval. Logo se multiplicaram as agremiações, algumas das quais desapareceram com pouco tempo de existência e outras prosperaram, como a Estação Primeira, do morro da Mangueira; a Vai Como Pode, futura Portela, do bairro de Madureira, e outras.
As escolas de samba da atualidade são sociedades civis legalmente registradas, elegem dirigentes e dispõem de órgãos representativos. As mais importantes têm sede própria, denominada quadra, onde se realizam bailes e ensaios durante os meses que precedem o carnaval. Algumas desenvolvem atividades assistenciais, principalmente com as crianças da comunidade.
Uma escola de samba, ao desfilar, dispõe em certa ordem os elementos que a constituem. O carro abre-alas inicia o desfile, seguido da comissão de frente, que representa a direção da escola. A porta-bandeira leva o estandarte da escola e executa, com o mestre-sala, uma coreografia especial. A dupla representa os anfitriões da escola. Os mais hábeis sambistas da escola, os passistas, desfilam à frente das alas. A bateria das grandes escolas se compõe de centenas de ritmistas que tocam surdos, taróis, pandeiros, tamborins, cuícas e outros instrumentos de percussão. Os grandes grupos de componentes fantasiados denominam-se alas e são intercalados pelas alegorias, montadas sobre carretas.
Música carnavalesca.
A partir da marcha
Abre alas, composta por Chiquinha Gonzaga em 1899, vários outros gêneros se popularizaram como música de carnaval: samba, marcha-rancho, batucada e samba-enredo permaneceram como os ritmos prediletos dos foliões do Rio de Janeiro. Até o final da década de 1960, a música de carnaval foi um fenômeno cultural e musical específico. A
Rádio Nacional divulgava grande número de composições que, a cada ano, disputavam a preferência do público, cantadas nos bailes e nas ruas. Algumas dessas canções tornaram-se clássicas das festividades do período e passaram a ser executadas em todos os carnavais. Entre elas se contam
Cidade maravilhosa (1935),
Mamãe eu quero (1937) e
Jardineira (1939), assim como outras mais recentes.
A ascensão da
televisão e o declínio do rádio contribuíram para minimizar a importância desse fenômeno. A afirmação da linguagem televisiva, que privilegia o aspecto visual do carnaval, acarretou uma divulgação maior das escolas de samba, cujo desfile, transmitido para todo o país, passou a ser o ponto alto do carnaval carioca. Os sambas-enredo das escolas, bem como o som de suas baterias, tornou-se o ritmo carnavalesco dominante.
Carnaval baiano.
Salvador apresenta um carnaval em que se misturam as mais autênticas tradições negras, como o cortejo dos afoxés, entre os quais se destacam os Filhos de Ghandi, com novidades introduzidas periodicamente nos ritmos e no instrumental, logo assimiladas pela multidão de foliões. Assim, o frevo baiano se executa ao lado de ritmos como o samba-
reggae e a timbalada. O
trio elétrico, palco ambulante montado sobre um caminhão e munido de caixas acústicas e alto-falantes, transmite a música executada por um conjunto e acompanhada pela multidão. Criado pelo folião Antônio Adolfo do Nascimento em 1950, o trio elétrico transformou-se no principal elemento do carnaval baiano.
Olinda e Recife.
No carnaval pernambucano predominam os blocos de frevo, música de ritmo frenético e contagiante, executada por batida sincopada e instrumentos de sopro. Os dançarinos de frevo podem usar guarda-chuvas para facilitar o equilíbrio. O ponto alto do carnaval do Recife é o cortejo do Galo da Madrugada, bloco que sai à cinco horas da manhã do sábado do bairro São José e percorre a cidade, acompanhado por centenas de milhares de pessoas.
Mais resumos sobre O CARNAVAL NO BRASIL - PARTE 2