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PADRE ANTÔNIO VIEIRA

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Resumo escrito por : magnus2
Visitas : 290  palavras: 900   Publicado em: janeiro 28, 2008
Se a linguagem de Vieira é típica do barroco europeu, pelos ornamentos, latinismos e elaborada conceituação, suas obras pertencem inequivocamente ao Novo Mundo, pela liberdade de emoções, ousadia da forma e atitude de tolerância racial.
Antônio Vieira nasceu em Lisboa em 6 de fevereiro de 1608. Não contava sete anos quando foi para a Bahia, por ter sido o pai nomeado servidor do governo colonial. Entrando para o colégio jesuíta, conta ele mesmo que, de início, tinha dificuldade com os estudos, até que sentiu uma espécie de "estalo". Tanto lhe doía a cabeça que se julgou próximo da morte, mas de súbito passou a compreender tudo e guardar de memória o que lia. Daí a expressão "estalo de Vieira". Aos 15 anos fugiu da casa paterna e ingressou na Companhia de Jesus. Tão brilhante se revelou que em 1626, completando o noviciado, já ensinava retórica e foi encarregado de redigir a Carta ânua, relatório dos trabalhos da Companhia.
Recebendo ordens (1635), começou sua carreira de pregador e logo proferiu uma de suas mais célebres peças oratórias, "Pela vitória das nossas armas", sobre a bem-sucedida luta contra Maurício de Nassau, forçado a deixar a Bahia (1638) depois de um cerco de quarenta dias. Em 1641, junto com o filho do governador, levou a Lisboa a adesão do Brasil a D. João IV. Com o apoio deste, tornou-se o maior pregador da corte, desempenhando papel fundamental em resoluções políticas da época, sobretudo quanto ao esforço de reabilitar os cristãos-novos, com o fim de fortalecer a mobilidade de seus capitais. Assim se criou a Companhia Geral do Comércio do Brasil (1649). O plano de Vieira visava conciliar Portugal e os Países Baixos contra os interesses britânicos, mesmo com o sacrifício de Pernambuco. Vieira trabalhou pelo plano, como embaixador, junto ao governo holandês, ao cardeal Mazarin e a judeus da Holanda e de Roma. O projeto fracassou devido, em parte, à insurreição pernambucana, em parte a reações da própria igreja contra a suposta heresia de misturar dinheiro católico e judeu.
De novo no Brasil, Vieira dedicou-se a missões de catequese no Pará e no Maranhão (1653-1661), dominando sete idiomas indígenas. Passou a bater-se contra a escravização dos índios, e os proprietários de terra maranhenses lançaram-se contra ele. Tendo morrido D. João IV (1856), Vieira, defensor dos judeus e dos índios, acabou condenado como herege pelo Santo Ofício e ficou mais de dois anos na prisão (1666-1667). Beneficiado pela anistia, depois da deposição de Afonso VI, em 1669 Vieira já estava em Roma, admirado pelo papa, pregando em italiano e fazendo campanha contra a Inquisição. Também tentou constituir uma nova companhia de comércio, com capitais de cristãos-novos, a fim de favorecer as missões jesuítas no Oriente.
Desiludido da empresa, voltou a Lisboa em 1675, mas pensando em embarcar para o Brasil, o que fez em 1681. No Colégio da Bahia e na quinta do Tanque, viveu a última fase da vida, inteiramente dedicada à revisão dos sermões e cartas e à conclusão da Clavis prophetarum (Chave dos profetas); aí estão reunidas as profecias que anunciou, mas de que deixou apenas fragmentos, publicados em 1718 com o título de História do futuro.
A religiosidade de Vieira é medieval, mas sua consciência é pós-renascentista, atenta aos fatos econômicos e políticos. Essa contradição imprime força e interesse a seu estilo, em que as tensões entre os mistérios originais e a demonstração racional o tornam um dos modelos mais fascinantes da literatura barroca. Os mais de 200 Sermões foram reunidos em 15 volumes na edição do Porto (1908-1909), e as Cartas, mais de 500, foram organizadas e anotadas por João Lúcio de Azevedo em três volumes, na edição de Coimbra (1925-1928). Nesses dois gêneros a matriz estilística é a mesma, e a linguagem resultante se caracteriza pelas mesmas qualidades de exatidão, propriedade, elegância e destreza no jogo de palavras. A um tom geral de grandeza se acrescenta sempre funcionalidade.
O famoso panfleto Arte de furtar(1652), contra a corrupção da administração portuguesa, durante muito tempo atribuído a Vieira foi, no entanto, creditado depois ao político, diplomata e escritor Antônio de Sousa Macedo. Primeiro por Solidônio Leite, em A autoria da arte de furtar (1917) e depois, cabalmente, por Afonso Pena Jr., em A arte de furtar e seu autor (1946). Antônio Vieira morreu no Colégio da Bahia, Salvador, em 18 de julho de 1697.

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