Confesso que inicialmente tive muita vontade de rir, hoje de manhã, quando ouvi o noticiário internacional.
Os
deputados
do parlamento alemão devolveram á procedência os seus telemóveis NOKIA, como forma de protesto pela deslocalização da fábrica alemã da Alemanha para a Hungria, tal como a MOTOROLA já havia feito faz um ano!
Refreei o momentâneo humor quando evoquei os milhares de desempregados que esta deslocalização provocou na Alemanha, que são de facto vítimas inocentes...
Os
deputados alemães, que são a fonte do poder legislativo, que fazem as leis, que objectivam políticas e estratégias e que são grandes apologistas da globalização e da liberalização, tiveram uma atitude simbólica de contestação porque a NOKIA achou ter mais vantagens competitivas na Hungria, onde a mão de obra é muito mais barata!
Será esta atitude dos políticos alemães racional e profundamente sincera?
Radicalmente, achamos que não!
A lógica do capitalismo concentracionista, financeiro/bolsista e globalizado, que os políticos alemães apadrinham e enquadram, foi a razão racional daquela mudança!
Quem semeia ventos, não pode esperar senão tempestades!
Não é possível ter simultâneamente sol na eira e chuva no nabal!
As lágrimas de crocodilo que os deputados alemães estão a derramar ,são a consequência lógica de um sistema e de um modo de produção que eles a cada passo promovem, elogiam e suportam.
O
populismo, que tem tendências para angariar cada vez mais mercados diante das crises, acontece sempre que os causadores dos efeitos não assumem ou não compreendem este nexo inelutável de causalidade.
Ser-se campeão pelo liberalismo e pela globalização não deveria dar, racionalmente, motivos para boicotes simbólicos populistas deste jaez.
Os próprios agentes revoltam-se contra os seus esperados e provocados efeitos?´!
A massa anónima, que maioritáriamente não analisa as géneses e os contextos, vai gostando e aplaudindo!
Até quando???
Até se atingir um ponto de ruptura!
Nessa fase crítica, os populismos são ainda muito mais perigosos e tornam-se muito agressivos, extremistas e imprevisíveis.
No fim da história, o pior inimigo do monstro de Frankeinstein, é sempre o próprio criador Frankeinstein.
Esperemos que esta globalização anárquica e liberal não se tranforme, ela própria, num monstro!...