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Um estudo sobre as relações de amor no ciberespaço

por : PauloAOurives    

Autor : Paulo de Almeida Ourives
Um estudo sobre as relações de amor no ciberespaço
Paulo de Almeida Ourives

Entra ano e sai ano, e a situação é a mesma, principalmente quando chega o Dia dos Namorados. Enquanto os casais aproveitam o dia para trocar presentes pelos momentos de carinho trocados durante o período que antecede a festa, os solitários rezam para que o dia passe o mais rápido possível para não vivenciarem esse momento de tristeza para eles. Tudo porque, para quem está sozinho, não é fácil saber ou ver, a alegria estampada no rosto de tantos casais.
O que leva uma pessoa a sofrer tanto com a solidão? Até hoje não foi feito um estudo sobre isso, mas é fácil notar que a grande maioria dos solitários prefere procurar a sua “alma gêmea” até o fim. E nessa busca de encontrar alguém que os tire da solidão o tempo vai passando.
Entretanto para Tânia Coelho dos Santos<1>
, “(...) avaliamos que essa dificuldade é conseqüência de um certo modo de conceber as relações entre indivíduo e sociedade, que se cristaliza na noção de ‘ideologia’ e pela qual a referência do eu ao ideal é passível de ser captada como ‘ilusão’ mais ou menos carente de positividade. Desse ponto de vista, a ‘ideologia’ não é compreendida como uma dimensão intra e intersubjetiva e não se considera o movimento do sujeito na relação com seus ideais, ou do social no seu constante produzir de novos ideais”.
            No entanto será que existe um amor verdadeiro? Ou vivemos apenas paixões que confundimos com um suposto e imaginário sentimento de amar? De acordo com os gregos, há três maneiras de amar, a carência (eros) que abrasileiramos por “eros”, e está mais ligado a idéia do amor sensual; o regozijo (philia) que é aquela alegria pela boa nova anunciada pelo Cristo que nos torna capazes até mesmo de amar os nossos inimigos. Essa é também a alegria pela amizade e pelas possibilidades de amarmos a todos; e finalmente, a caridade (ágape) que pode ser entendida como a forma mais completa do amor.
            Há também uma palavra que engana as pessoas: paixão. De acordo com SANTOS, “a paixão enquanto amor não existe, e o amor enquanto fogo da paixão não pode ser chamado ou considerado como tal”, porque a sexualidade presta um grande serviço, já que ela é um fogo que pode purificar os apaixonados e transformar os sentimentos, um dia, em amor. “Difícil será encontrar no amor ao outro, misturado com a volúpia do sexo, o amor que tanto se propaga”. Por isso é que não amamos o que queremos, mas o que desejamos.
            E quanto aquele amor que deseja o outro, e que geralmente pensa que o possui, é amor? Para o poeta Rilke<2>
, “(...) a volúpia carnal é uma experiência dos sentidos, análoga ao simples olhar ou à simples sensação com que um belo fruto enche a língua. É uma grande experiência sem fim que nos é dada; um conhecimento do mundo (...) O mal não está em que nós a aceitemos; o mal consiste em quase todos abusarem dessa experiência...”
            Atualmente, quando a informática é uma febre, e as distâncias são encurtadas pela internet, há também filósofos que já se preocupam com as relações interpessoais no ciberespaço como Aaron Ben-Ze´Ev<3>
que publicou um estudo sobre isso em seu livro “Love online”, na Inglaterra, e defende que a tendência deverá se expandir em um futuro próximo e impor uma nova ética à sociedade.
Mas muito mais do que um fenômeno circunscrito a teens
ou a adultos solitários, os relacionamentos românticos – via internet – deverão se expandir em um futuro próximo e deverão provocar um relaxamento das normas sociais e morais tais como as entendemos hoje. O autor que leciona no Centro de Pesquisas Interdisciplinares sobre Emoções da Universidade de Haifa (Israel), afirma que tais relacionamentos provocarão um incremento da imaginação e das capacidades intelectuais das pessoas envolvidas. Mas que isso provocará também uma dependência do usuário pois “ao requerer mais e mais doses de imaginação”, ele conduz ao aumento da distância entre a realidade “verdadeira” e o ciberespaço. O resultado disso, segundo o autor, “pode ser a alienação do indivíduo”, e conclui dizendo que “aprender a integrar ciberespaço e “espaço real” no domínio romântico” será o grande desafio para a sociedade do século 21.
<1>
Trecho extraído do ensaio da tese de doutoramento “Subjetividade e difusão da psicanálise: uma discussão de cultura psicanalítica
”, PUC, Rio de Janeiro, 1990, e publicado em Physis Revista de Saúde Coletiva, IMS/Relume Dumará, volume I, número 2, pgs, 74-95, 1991. Localizado no endereço eletrônico: www.nucleosephora.com/biblioteca/corpo1/publicacoes/

<2>
RILKE, Rainer Maria, Cartas a um jovem poeta
, Editora Globo, Porto Alegre, 1980, apud
Enéas Martim Chanhadas in
O que é sexualidade?
Encontrada no endereço eletrônico: www.espirito.com.br/portal/artigos/eneas-canhadas/
<3>
 BEN-ZE´EV, Aaron, Love Online
, Cambridge University Press. Entrevista concedida ao Editor-adjunto da Revista Mais!, Marcos Flamínio Peres, por e-mail e publicada no endereço eletrônico: www.beatrizkappke.com/
Publicado em: dezembro 31, 2007
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