REFLEXÃO SOBRE O LIVRO: “NUNCA LHE PROMETI UM JARDIM DE ROSAS”, Hannah Green
Em contextos "normais" aos olhos da
sociedade, denunciando através de membros mais envolvidos com esse meio doentio, a doença se revela de forma implacável, trazendo à tona toda a realidade obscura escondida no mais íntimo da mãe “civilização”.
Sinais são dados porém, as exigências, as preocupações e o ritmo acelerado do cotidiano, afastam pessoas de pessoas e indivíduos de si mesmos.
Dessa forma, a fuga desse mundo torna-se uma atrativa opção. Porém, tentando se libertar das regras ou das normas embutidas na sociedade como um todo, o indivíduo se vê dependente da mãe civilização. Essa dependência faz com que o doente busque sugar o máximo dessa mãe cruel, para compensar, o que na saúde, não se pôde ter.
Quando essa possibilidade de fuga se torna um ato concreto, indagações, indignações, julgamentos ou auto-avaliações, estranhamentos ou afastamentos, sensações de perda ou de culpa, de vazio ou de indiferença para com o outro, para consigo mesmo ou para com o mundo, se revelam, na tentativa de compreender de onde vieram ou para onde vão as pessoas que se perderam no abismo da mente.
A dificuldade em que a mãe cruel tem em ser solícita, pode ser definida mediante a idéia de que o mundo imaginário e o mundo real, são caminhos estreitos e quase interligados, por mais antagônicos que se apresentam.
A loucura dói mais que um espinho nos olhos: nos olhos de quem está sentindo ou usufruindo dela; este sente a dor no mais profundo de seu âmago.
Já quem está de expectador, ao se aproximar dessa dor, teme sentir um dia, a dor que sentiu ao ver, o que um dia o outro sentia.
No momento da doença, a sociedade se auto-avalia, busca culpados, uns se apontam, outros se desintegram e o doente.... O doente totalmente comprometido com a sociedade doente, apóia-se na última gota que lhe resta de vida para, quem sabe, seguir com o que aprendeu e reabastecer-se, reintegrar-se com isso, ou desistir da vida e inventar uma nova história, quem sabe até, longe desse mundo.
O
sofrimento psíquico é muito difícil: só quem já sentiu é que pode expressar: quem já não ouviu dessa forma alguém reclamar?
De tão penosa que se mostrou a dor da personagem da história, qualquer doença se torna insignificante, por mais que cada um signifique seu sofrimento de maneira peculiar.
Dessa maneira, pode se garantir que o pior de tudo isso - mais forte que a dor - é o preconceito que as pessoas sentem quando estão doentes.
As pessoas não compreendem que coisas importantes como bens materiais ou situações consideradas problemas, são menos importantes que carinho e afeto. Talvez, um simples estacionar de olhos, pode salvar uma vida e valer mais que um diamante.
A nossa história nem com a morte termina. Quantas pessoas vivem depois de terem morrido? Somos personagens de nossa história, mas também, grandes autores: temos a liberdade de poder escolher que caminho queremos seguir.
A doença, por mais difícil que seja, sempre traz algum benefício: mesmo deixando marcas ou vestígios. É o aprender a olhar as coisas além delas mesmas; num simples sorriso ingênuo e verdadeiro de uma criança, na beleza natural e sem conservantes de uma rosa, na delicadeza e na refrescância da chuva, na sensação única do vento passeando no nosso corpo, no semblante triste ou alegre de uma pessoa, nas rugas lindas na pele de um idoso, no amor e no respeito que podemos manifestar pelo outro... Tudo isso esquecido, ou melhor, adormecido nas pessoas.
O livro ensina a viver cada minuto por mais de 60 segundos, tentando extrair a última gota de cada momento. Não se pode querer parar o tempo para nunca mais voltar atrás ou seguir adiante, ou pior ainda, deixar o tempo escapar pelas mãos.
Destarte, por mais hipócrita e medíocre que seja a sociedade, faço parte dela e posso contribuir para que ela seja tão doce como um mel, por mais amarga que possa ser, pois doçura existe nela.
Quero me envolver com a sociedade, pois se eu tentar me livrar dela, mais dependente dela ficarei e como sabemos, ela não é a mais sensível profissional para cuidar das pessoas.
Por fim, prefiro eu servir a sociedade, do que esperar que ela me sirva! Antes ela depender de mim, que eu depender dela...