Nossa memória não distingue as lembranças
"verdadeiras" das "falsas". Para o indivíduo é razoável que seja assim, já que a memória nos orienta no presente-por exemplo, na tomada de uma decisão baseada na experiência. Melhor é que nos acostumemos com a idéia de que a memória tem menos a ver com o passado do que muitos acreditam.
O propósito a que serve é, antes, o de nos orientar no presente em relação ao futuro. A memória de esconderijos de alimentos, companheiros de espécie inamistosos ou inimigos naturais não serve aos primatas para lembrá-los de "como as coisas eram no passado", mas para capacitá-los a avaliar o ambiente de forma otimizada em relação a seus propósitos.
A memória
autobiográfica-trabalha de forma "autonoética", ou seja, não temos apenas a capacidade de nos lembrar, mas também a consciência de que nos lembramos. A memória autobiográfica nos proporciona maior adaptabilidade, uma vez que torna mais eficiente nossa capacidade de lembrar. Desta forma temos a oportunidade de agir baseando-nos na escolha e no momento mais oportuno.
Ainda podemos acrescentar que a MEMÓRIA AUTOBIOGRÁFICA localiza-se no
hemisfério direito do cérebro, sendo este o responsável pelo armazenamento de sentimentos relacionados por exemplo, as últimas férias, o semblante de nosso companheiro, ou a lembrança de uma festa boa.
Pesquisadores supõem que tudo aquilo que, mais tarde, se deposita na memória autobiográfica passe antes pelo crivo da memória factual.