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Resumos e revisões curtas

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Shvoong Home>Artes & Humanidades>Winston Walls - O soul jazz e o materialismo dialético

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Winston Walls - O soul jazz e o materialismo dialético

por : JohnLester    

Autor : John Lester
Até onde sei foi Robert Boyle quem introduziu a idéia de materialismo em nossas cabeças: em seu livro The Excellence and
Grounds of the Mechanical Philosophy, de 1674, Boyle defende que toda a realidade é formada por corpos dotados de propriedades mecânicas expressáveis matematicamente. De lá pra cá, toda a filosofia se debate entre materialistas e idealistas. Corpo de um lado, alma do outro. Alquimistas e bruxos contra químicos e lógicos. Na verdade, essa coisa já incomodava a humanidade pensante há séculos, basta lembrarmos de Demócrito e Epícuro. Até mesmo o polêmico aumento salarial de nossos parlamentares pode ser abordado sob uma dessas duas óticas. Podemos compreendê-lo segundo uma manifestação do ‘espírito’ na dialética de Hegel ou através da ‘práxis’ no materialismo dialético de Marx (combinado com o materialismo histórico de Engel). Mas, resumindo a coisa toda a uma noção bem Lula, ou seja, elementar, o materialismo pode ser entendido como uma concepção de mundo segundo a qual todas as coisas, inclusive a alma, a mente e o espírito, se resumem à matéria e aos fenômenos materiais. Ok, eu concordo que essa pode ser uma visão um tanto fria do mundo, eu sei. Mas há muitas mentes saudáveis que concordam com essa idéia pouco romântica da realidade. Então eu me pergunto: como explicar a música de um Winston Walls? Dá para transformar em equações sua interpretação de Georgia On My Mind (ouça logo acima, no Gramophone Jazzseen). Como descrever através de expressões matemáticas o sentimento groove que existe em seu Hammond B-3? Alguns, como o próprio Boyle, recorriam a Deus nessas horas desesperadas. Em sua obra The Christian Virtuoso, de 1690, ele afirmava que a natureza é como um mecanismo de relógio, onde o funcionamento é determinado por leis divinas que, não obstante, podem ser compreendidas pela ciência dos homens. Sobre o funcionamento da alma, contudo, Boyle nunca chegou a nenhuma conclusão satisfatória. Sendo assim, viva o soul jazz!
Publicado em: dezembro 05, 2007
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