Um dos objetivos do
Jazzseen, sobretudo nas resenhas escritas por John Lester, é estabelecer a cizânia entre
seus leitores. Sem discórdia o mundo seria insuportável e, certamente, o
jazz não existiria. Tanto é assim que, conforme tem sido amplamente divulgado pelos meios de comunicação, no mês que vem daremos ênfase ao
acid jazz, um estilo carregado de sentimento groove,
soul e funk. A formação característica do acid jazz é órgão, guitarra e bateria, muitas vezes acompanhados de um lauto tenor. Nesse estilo não devemos procurar por teoremas complexos, pois somente existem leves axiomas, daquele tipo que todos intuem sem maiores dificuldades. O acid jazz é sentimento. Sendo assim, se vamos falar de
Larry Young, melhor falarmos aqui e agora porque não haverá espaço para ele no acid jazz. Larry, um dos melhores organistas do jazz, iniciou a carreira bastante influenciado por
Jimmy Smith (e que organista não foi influenciado por ele?), mas não demorou a mergulhar nas experiências modais propostas por
John Coltrane, transformando seu até então tímido instrumento em uma máquina musical complexa. Afastando-se da simplicidade aconchegante do soul, Larry desbravou os mares revoltados da modalidade e construiu um caminho absolutamente novo para o órgão no jazz. Como dizem os críticos, se Jimmy Smith foi o Charlie Parker do órgão, Larry Young foi seu John Coltrane. E, como seus paradigmas, morreu bem cedo, aos 38 anos. No
Gramophone Jazzseen, logo acima, deixo a faixa You Don''t Know What Love Is, retirada do álbum Talkin'' About de
Grant Green - um grande guitarrista do acid jazz. Esse álbum faz parte da excelente coletânea da Mosaic
The Complete Larry Young Blue Note Recordings. Note que, apesar de ainda comportado, Larry já demonstra a que veio, não se limitando a imitar o mestre do soul Jimmy Smith. Nada melhor que órgão ou vibrafone para estabelecer a cizânia em qualquer reunião de amantes do jazz. Boa discussão!