A quarta produção da badalada franquia "Jogos Mortais" chega aos cinemas brasileiros com muito sangue e cenas de tirar o fôlego. Dirigido por Darren Lynn Bousman, responsável pelos dois episódios anteriores, o longa-metragem consegue manter a linha bem sucedida que tornou famosos os filmes anteriores.
No terceiro
filme da série, Jigsaw e sua aprendiz Amanda foram mortos. Com essa informação em mãos, muita gente ficou incrédula ao pensar em uma possível continuação. Ao ser divulgado que aconteceria um quarto longa, a crítica logo surgiu nos meios de comunicação apostando no fracasso do projeto, já que seria extremamente difícil para um roteirista conseguir prosseguir com a história depois de tantas situações escabrosas. Mas eles conseguiram.
Dessa vez, o Comandante Rigg será testado. Obcecado em solucionar o caso que já matou vários policiais com quem mantinha relações, ele quer a qualquer custo colocar um ponto final na série de assassinatos brutais, e acaba envolvido no meio da teia de seu principal inimigo. Quando é encontrado o corpo da Detetive Kerry, dois oficiais do FBI entram na história para auxiliar o Detetive Hoffman (interpretado por Costas Mandylor, também presente em "Jogos Mortais III"). Os agentes Strahm (Scott Patterson, da série televisiva "Will & Grace") e Perez (Athena Karkanis) são especialistas em traçar perfis psicológicos de criminosos, e farão com que detalhes da vida de Jigsaw venham à tona. Revelações do passado são trazidas através da ex-mulher do psicopata, expondo situações que explicam os planos macabros que ele reserva para suas vítimas.
Para a difícil tarefa de escrever o roteiro foram chamados Patrick Melton e Marcus Dunstan. A dupla, até então desconhecida, havia assinado o roteiro de thriller de horror "Feast", não muito divulgado no Brasil. Com uma enorme responsabilidade nas mãos, de não só segurar o clima dos anteriores, cultivado por Leigh Whannell, mas também surpreender, os dois chegaram a ser chamados de loucos por arriscar seus nomes em "Jogos Mortais IV". Eles assumiram o desafio e deram conta do recado. Além de bem amarrado, o roteiro surpreende.
Mesclando presente e passado, fazendo uso dos já conhecidos flashbacks, eles conseguiram dar a Jigsaw o que até então nenhum outro escritor tinha proposto: um motivo. A humanização do personagem está longe de parecer uma cansativa caricatura. A roupagem dada ao sádico assassino, que sempre justifica seus atos alegando que quer ensinar as pessoas a dar mais valor às suas vidas escolhendo o destino que tem, convence. Mesmo que não seja tão aprofundada, o que teria dado pontos a mais na história, é válida. E não se engane, pois nada é mal usado na trama, nada é por acaso, como acontece desde o primeiro filme. A dificuldade é como conseguir isso, tarefa que tem se tornado cada vez mais difícil.
A direção de Darren Lynn Bousman dinamiza a história. Assustadora e bem resolvida, ela encaixa com perfeição cada uma das bem elaboradas situações. Com planos bem realizados, que trabalham lado a lado com os recortes colocados em todo o roteiro, dão ainda mais crédito para a película, muito bem apoiados pela montagem, que dá o tom frenético. A boa leitura de qualquer roteiro é essencial, e o diretor, que consegue captar com clareza determinados detalhes e transmitir isso para as telas, é bem sucedido. Há uma sintonia entre os diversos setores que envolvem o trabalho e isso é facilmente percebido. A parceria entre diretor e roteiristas é sem dúvida um dos pontos altos do longa-metragem.
O outro está na maquiagem, extremamente convincente. Assustadoramente realista, foi o toque final de cada uma das cenas que assistimos. Realizadas por Patrick Baxter ("Terror em Silent Hill") e Damon Bishop ("Resident Evil: Apocalypse"), levou às telas comerciais um trabalho de arte nunca visto antes.
Para quem gosta do gênero, o filme é sem dúvida uma boa pedida. Muito sangue, cérebros rachados e momentos de extrema tensão estão garantidos.
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