Pensar, em "O Clube dos Cinco" é pensar em John Hughes,
um dos maiores ícones dos
anos 80. Talvez muitos pós-80''s ou antes, não entendam do que estou falando, mas quem cresceu nessa época sabe do que estou falando. Esse diretor foi o responsável por alguns dos filmes mais marcantes dessa época para o público infanto-juvenil (naquela época ainda não tinham criado o termo "pré-adolescente") e para os adolescentes da época.Cada um de seus filmes disseca profundamente esse universo, para muitos obscuro, que é paralelamente tão simples do que é ser adolescente.Em Clube dos Cinco são destacadas cinco personalidades diferentes, a princípio estereotipadas, propositalmente Hughes nos mostra apenas
uma primeira impressão superficial do que cada um dos alunos que estão em detenção no sábado, realmente é. O diretor da escola tem dificuldades de disciplinar essas mentes, repletas de interrogações e críticas, pede aos "detentos" que façam uma redação dizendo quem são eles? A redação não surge, porém as personagens respondem ao público essa pergunta no decorrer do filme. No primeiro momento, o conflito: a imagem que cada um deles quer manter, e como os outros os vêem, a medida que essa imagem começa a ser comprovada como uma mera visão distorcida, temos um próximo momento: curiosidade: ao descobrir que sabem tão pouco sobre as pessoas ao seu redor e até mesmo sobre eles, os jovens começam a interagir com os outros "universos", buscando a identidade dos companheiros de detenção e deles mesmos. Então surge o entrosamento: as barreiras começam a cair, segredos, coisas sobre as quais nunca tinham pensado surgem, e eles dividem seus medos, seus temores. E por fim, algo indefinível, nem eles mostram claramente, nem você pode ter certeza, mas sabe que algo dentro deles mudou, eles mostram com uma frase que resume exatamente o que estou tentando explicar, na redação para o diretor: "...você nos vê exatamente como for mais conveniente para você..."Pessoas são sempre rotuladas, geram uma impressão, uma imagem quando conhecemos superficialmente. Ninguém aparece com todas as características e defeitos estampados no rosto. É da compreensão de que não podemos evitar que isso aconteça conosco, mas de que podemos ser diferentes, antes de tentar criar um "rótulo" meramente especulativo sobre alguém que o filme fala.Personagens:"A
princesa" - Claire - A popular, patricinha-mimada, arrogante e esnobe. No desenvolvimento vemos que ela sofre, pois os pais não se importam com ela, e a manipulam para transformá-la em objeto de separação. Descobrimos uma menina insegura, que sofre pressão dos amigos para ser algo que não é, e que quando se sente confortável, pode ser bem gentil e honesta."O Esportista (Sporto)" - Andrew - Também faz parte do grupo dos Populares, participa de equipe de luta. A princípio parece controlador e certinho, mas vamos descobrindo que nem tudo vai indo tão bem em sua vida, é pressionado a participar da equipe de luta pelo pai, mesmo não sabendo se é isso que quer, tem dificuldade de pensar por ele mesmo, não se conhece. Mas é também leal, companheiro e doce."O cérebro" - Brian - O típico CDF, considerado por todos "não-problemático", afinal, provavelmente terá um futuro brilhante, o sonho de todos os pais, tímido e facilmente coagido. Na realidade, ser o gênio também é uma grande pressão e Brian não soube lidar com uma nota baixa que recebeu, tendo seu surto total. Descobrimos que ele tem um excelente senso de humor, e sabe ser irônico, sem que ninguém perceba. É também muito sensível."O
rebelde" - Bender - Rebelde sem causa? Revoltado? Politicamente incorreto, Bender é um ponto de interrogação, a princípio. Como arma de auto-defesa ele ataca os outros, e quando provocado descobrimos uma vítima de maus tratos do pai, sofrido, porém corajoso e protetor, fica claro que quanto mais ele ataca, mas a pessoa o incomoda. Ou porque ele gosta, ou porque é alguém que ele gostaria de ser."A estranha" - Allison - Quando aquela garota queinguém vê, que todos ignoram aparece a indiferença permanece, então, Allison começa a ter algumas atitudes imprevisíveis, e acaba pegando todos de surpresa. Na realidade, é uma garota solidária, mas triste, abalada por nunca provocar nada em seus pais e nem no
colégio. Atemporal, interessante, engraçado e melancólico, esse é o "O Clube dos Cinco".
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