Jorge Amado de Faria, nasceu em Ferradas (hoje Itabunas (BA)), em 1912. Fez os primeiros estudos em Ilhéus e Salvador, concluindo-os
no Rio de Janeiro, onde se formou em direito. Militante de esquerda , exilou-se várias vezes, fugindo de perseguições políticas. Em 1945, é eleito deputado, em São Paulo, pelo Partido Comunista, perdendo o mandato quando o partido é posto na ilegalidade. Obteve o Prêmio Stalin de Literatura e a Legião de Honra da França. É membro da Academia Brasileira de Letras desde 1959. Suas
obras alcançam mais de trezentas edições em línguas estrangeiras, com milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.
OBRAS Romance: O país do carnaval(1931); Cacau(1933); Suor(1934); Jubiabá(1935); Mar Morto(1936); Capitães da areia(1937); Terras do sem-fim(1942); São Jorge dos Ilhéus(1944); Seara vermelha(1946); Os subterrâneos da liberdade(1952); Gabriela, cravo e canela(1958); Dona flor e seus dois maridos(1967); Tenda dos milagres(1970); Teresa Batista cansada de guerra(1973); Tieta do agreste(1977); Farda, fardão e camisola de dormir(1979).
Novela: Os velhos marinheiros(1961); Os pastores da noite(1964).
Biografia: ABC de Castro Alves(1941); Vida de Luís Carlos Prestes, o cavaleiro da esperança(1945).
Teatro: O amor de Castro Alves, reeditado como O amor do soldado(1947).
CARACTERÍSTICAS DA OBRA Costuma-se dividir a obra de Jorge Amado em duas fases. A primeira iniciada com o romance O país do carnaval(1931), caracteriza-se pelo forte conteúdo político e pela denúncia das injustiças sociais, o que muitas vezes dá um caráter panfletário e tendencioso às obras aí incluídas. O esquematismo psicológico das obras dessa primeira fase leva a uma divisão do mundo em heróis (marginais, vagabundos, operários, prostitutas, meninos abandonados, marinheiros etc.) e vilões (a burguesia urbana e os proprietários rurais).
Terras do sem-fim(1942) é uma exceção entre os romances da primeira fase, constituindo uma das obras-primas do autor.
A segunda fase, inicia-se com a publicação de Gabriela, cravo e canela(1958). Fugindo o panfletarismo e ao esquematismo psicológico, Jorge Amado constrói seus romances com elementos folclóricos e populares: os costumes afro-brasileiros, a comida típica, o candomblé, os terreiros, a capoeira etc. O mundo dos marginalizados torna-se então um mundo feliz, pois seus heróis levam uma vida sem preconceitos, sem regras severas de conduta social, o que lhes permite um elevado grau de liberdade existencial.
A partir de então, como se houvesse descoberto uma fórmula, Jorge Amado insiste nos mesmos esquemas, repetindo com pequenas variações, a mesma “receita”.