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Resumos e revisões curtas

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Shvoong Home>Artes & Humanidades>MADRE TERESA E O PAPA

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MADRE TERESA E O PAPA

por : RUI ALMEIDA BRANCO    

Autor : RUI ALMEIDA BRANCO
MADRE TERESA DE CALCUTÁ em crise? A sua hierarquia na Terra procurou criar-lhe uma imagem de pessoa carismática, de
uma mística com potencialidades de coexistir com o terreno e com o transcendente, e até de fazer pontes entre essas dimensões diversas! < br/>A igreja que a incorporava, sempre preferiu o misticismo etéreo e a salvação individual no além, ao humanismo pragmático e ao apoio efectivo a favor de milhões de terrenos necessitados.
Havendo custos de oportunidade entre salvar-se um alma para a eternidade e o colocar-se com eficácia ao lado de milhões de ainda encarnados, famélicos . doentes e descamisados, Roma sempre optou pelas delícias do Além e desviou o olhar dos dramas colectivos terrenos.
Madre Teresa que fazia diáriamente o bem, duma forma consequente e eficaz, deveria fazê-lo porque também era uma mística,  capaz de milagres e de contactos supra naturais!
Era esta a ideia que deveria prevalecer, até porque logo após a sua morte lhe foi atribuido um milagre inexplicável e a consequente beatificação.
As confissões reais, de uma mulher real, que nunca sentiu a comunicação com Deus nem a recepção inexplicável de dons extraordinários, veio perturbar a construção da imagem que a Igreja queria prosseguir.
Sente-se agora um desconforto na hierarquia por já ser impossível sustentar uma ficção de santidade supra inspirada!
No entanto, eu penso que a Igreja deve descer á Terra e ver que não há melhor santidade do que a que se materializa em solidariedade eficaz para com irmãos e semelhantes em terreno sofrimento!
Madre Teresa não tinha visões, não fazia retiros espirituais, nem entrava em êxtases! 
Estava ciente de que não fazia milagres!
Fazia apenas caridade e apoiava quem sofria, como uma simples mortal!
É de facto por isso uma verdadeira santa, mesmo numa modalidade que não é a preferida de quem não tem ainda os pés na Terra!
Talvez um dia os poderes religiosos venham a compreender que antes do paraíso é mesmo necessário ser-se activo perante os dramas terrenos, numa posição inequívoca ao lado dos excluidos e discriminados.       
 
Publicado em: setembro 03, 2007
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