Imigração
Neerlandesa no
Brasil Os primeiros imigrantes
neerlandeses chegaram ao Brasil em 1630, no tempo do João Maurício de Nassau. Antevendo que a colônia só conseguiria se desenvolver se os neerlandeses se fixassem em Pernambuco, Nassau estimulava a imigração e o casamento entre as diferentes parcelas da população como forma de criar raízes.
Com o fim do período neerlandês, em 1654, a maioria dos neerlandeses que haviam se casado no Brasil durante o período Nassau optou por continuar residindo no Brasil. As marcas desse período são visíveis até hoje, principalmente nos sobrenomes como Wanderley, descendentes do capitão de cavalaria Casper Van der Ley e Vantuil, descendentes do oficial Vantwiel. O sobrenome de Holanda, ou de Hollanda, provavelmente data de colonizadores neerlandeses do período neerlandês.
Além dos nomes de família, esta primeira presença ainda se faz sentir no Brasil nos nomes dos antigos fortes neerlandeses, que mais tarde foram ocupados pelos portugueses, e no planejamento urbanístico do Recife antigo, com suas casas estreitas e altas. Daquele tempo restaram importantes obras dos pintores neerlandeses Frans Post e Albert Eckhout. Post foi o primeiro pintor ocidental a retratar a paisagem brasileira e muitos dos seus quadros ainda se encontram no Brasil. Eckhout se dedicou principalmente à pintura do povo, flora e fauna da nova colônia e suas obras se encontram atualmente na Dinamarca. Do período neerlandês ficaram também vários estudos neerlandeses sobre cartografia, medicina, botânica, etc.
Em meados do século XIX chegou ao Brasil
um grupo de imigrantes oriundos da província neerlandesa da Zelândia, que decidiu partir em direção ao novo mundo em razão de divergências dentro da Igreja Reformada Neerlandesa daquela província. Estes imigrantes se fixaram no Estado do Espírito Santo e enfrentaram grandes dificuldades para erguer as bases de sua comunidade. Hoje praticamente não há vestígios deste grupo e até há alguns anos havia apenas um único representante daquela colônia que ainda falava o antigo dialeto da Zelândia.
No início do século XX a imigração neerlandesa recomeçou, desta vez com mais vigor, e cerca de 5.500 imigrantes chegaram ao Brasil, na sua grande maioria estivadores do porto de Amsterdã que foram demitidos na greve de 1908, e suas famílias. Estes imigrantes, que fixaram-se principalmente na cidade de Irati, no Paraná, encontraram grandes dificuldades para seu estabelecimento no Brasil e grande parte daqueles neerlandeses retornou, por fim, ao seu país de origem.
Em 1911, a Companhia de Estradas de Ferro do Brasil passou a oferecer algumas vantagens para agricultores neerlandeses que quisessem tomar parte nos trabalhos de fundação de uma colônia em Carambeí, Paraná, e já em 1913 dez grandes famílias neerlandesas encontravam-se assentadas naquele município. Naquele período Carambeí se tornou praticamente um enclave neerlandês no Paraná e em 1925 o imigrante Gerrit Los fundou uma cooperativa de trabalho, crédito e consumo, conhecida como Cooperativa Agropecuária Batavo, que hoje vende os seus produtos em todos os supermercados do Brasil.
Logo depois da Segunda Guerra Mundial a emigração neerlandesa recebeu um forte impulso. Com o passar do tempo, além da colônia em Carambeí, foram fundadas colônias em Arapoti e Castrolanda, também no Paraná. Ambas fazem parte da cooperativa Batavo. Em 1948 e 1960, respectivamente, foram fundadas em São Paulo as colônias agrícolas Holambra I e II - ambas católicas - e em 1951 foi criada a colônia de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. Holambra I conquistou fama nacional com sua produção de flores, que são vendidas em todo o Brasil, e evoluiu a ponto de tornar-se um município autônomo.
Em menor grau houve também imigrações de agricultores neerlandeses para Minas Gerais, Mato Grosso, e Goiás.
Em razão da grande diferença cultural, e muitas vezes religiosa (protestante), a emigração de neerlandeses para o Brasil se distingue em relação à emigração para países como os Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia ou Canadá. Justamente por causa destas diferenças as colônias no Brasil têm conseguido manter sua integridade por um longo período, porém sem que ocorra o isolamento da sociedade brasileira. A imigração de agricultores neerlandeses continua, mas não como se apresentava anteriormente, quando era estimulada e apoiada pelo Governo.
Imigração religiosaUm outro período na imigração neerlandesa particularmente interessante para o Brasil foi a imigração religiosa. Na primeira metade do século passado os Países Baixos foram um celeiro de missionários católicos que foram enviados a diversos lugares do mundo, entre os quais o Brasil onde se fixaram, principalmente, em Minas Gerais. A maioria desses religiosos trabalhava no ensino secundário e muitos brasileiros se lembram ainda com carinho dos padres da sua escola. Esta imigração começou a estagnar no fim dos anos sessenta, início dos anos setenta, e naquela mesma época vários religiosos optaram pela vida fora dos conventos, casando-se, constituindo família e, na maioria das vezes, fixando residência permanente no Brasil.
Finalmente, uma importante colaboração foi também prestada pelos empresários e comerciantes neerlandeses que emigraram, temporariamente ou em definitivo, para o Brasil, estabelecendo-se principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro.
Hoje se estima haver aproximadamente 10.000 imigrantes neerlandeses no Brasil e um número muito maior de descendentes.
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