Vem da França mais uma notícia da série “O que Está Acontecendo com o Mundo?”.
Segundo alguns sites, uma loja de brinquedos
criou oficinas para que
meninos e
meninas “se divirtam lado a lado brincando com bonecas”.
O primeiro desses edificantes encontros aconteceu em Paris. A
molecada com mais de três anos de idade aprendeu a dar banho, comida e
trocar fraldas dos bebês de plástico. Garotas e garotos, juntinhos,
sacaram as delícias do universo doméstico. Depois ganharam presentes e
lanche.
A iniciativa acontece num período de crise. As vendas de bonecas
caíram 10% no ano passado. Nada melhor do que preencher esse prejuízo
atacando um novo alvo, certo?
Não sou pediatra nem psicólogo. Em compensação, minha formação como palpiteiro é extraordinária.
Lendo sobre a história da oficina unissex na França, lembrei de um
artigo recente publicado na “Folha de S.Paulo” pelo articulista Marcelo
Coelho.
Ele comentava sobre o massacre de temas adultos imposto na
criançada. As atuais letras politicamente corretas de certas canções
infantis, por exemplo, fazem menores de quatro anos levantarem
bandeiras, criticarem o aquecimento global e ainda descerem o cacete na
gordura trans.
Mas será que eles têm condições de assimilarem essa porcariada,
esses complexos discursos? Ou melhor, será que eles merecem – ou
precisam – entrar de sola no mundo adulto?Alguém aí acredita que os comerciantes estão
preocupados com o “novo homem”, que já deve desde cedo entender as
artimanhas de uma fralda cheia de cocô?
Epa. O bolso é muito mais embaixo. A questão não é de cabeça ou formação, mas de grana mesmo.
Brincar deixou de ser um passatempo, uma descoberta, e virou uma obrigação política – e muito rentável.
Então essas são as delícias de um tempo livre, sem preconceitos, com meninos e meninas ninando bonecas?
Sei não. Tem gente faturando alto enquanto pais brincam de educar os seus rebentos.
Mas se o Gordo aparecesse numa dessas oficinas e oferecesse uma bola
(sem duplo sentido) para os garotos, duvido que alguém rejeitaria uma
pelada nas ruas do Champs-Elysées (com o arco do triunfo servindo de
trave).
As meninas também estariam convidadas, claro.
Melhor ainda. Poderíamos fazer um belo rachão meninos contra
meninas, como nos velhos tempos, aqueles deliciosamente incorretos – e
ingênuos.
Escreva o seu resumo aqui.