Estado de Bem-Estar Social
O
declínio do liberalismo clássico remonta ao final As
origens
Quando
se afirma a existência de ''neoliberais'', a utilização
do prefixo ''neo'' refere-se menos a uma nova corrente do Liberalismo
e mais à aplicação, simplificada, dos preceitos
liberais consagrados num contexto histórico diverso daquele no
qual foram formulados (qual seja, na contemporaneidade). A
denominação ''
neoliberal'' assemelha-se, pois, ao termo
''neoclássico'' na História
da Arte.
As
origens do que hoje muitos chamam de neoliberalismo remetem à
Escola
austríaca, nos finais
do século
XIX com Friedrich
von Hayek, considerado o
propositor da sua base filosófica e econômica e Ludwig
von Mises. A Escola
austríaca opõe-se à política Keynesiana e
ao estado de bem-estar social. Vale lembrar que as idéias de
John
Maynard Keynes foram
formuladas na primeira metade do século
XX - apenas mais um lembrete
de que o ''neoliberalismo'' se configura como uma retomada do
Liberalismo
de outrora e menos como uma nova corrente de explicação
da Política e da Economia, em contraposição às
criadas no decorrer do século XX.
Mais
recentemente, o liberalismo surgiu em 1947
com o célebre encontro entre um grupo de intelectuais
conservadores em Monte
Pèlerin, na
Suíça,
onde formaram uma sociedade
de ativistas para combater as políticas do estado de bem-estar
social. Essas políticas tiveram início em 1942
com a publicação na Inglaterra
do Relatório
Benveridge, segundo o
qual, depois de vencida a guerra, a política inglesa deveria
se inclinar doravante a uma programação aberta de
distribuição de renda, baseada no tripé da Lei
da Educação, a lei do Seguro Nacional e a Lei do
Serviço Nacional de Saúde (associadas aos nomes de
Butler, Beveridge e Bevan). A defesa desse programa tornou-se a
bandeira com a qual o Partido Trabalhista inglês venceu as
eleições de 1945,
colocando em prática os princípios do estado de
bem-estar social.
Para
Friedrich
von Hayek esse programa
levaria a civilização ao colapso. Escreveu então
um livro que foi considerado como o Manifesto do Neoliberalismo - "O
Caminho da Servidão" (1944). Nele expôs os
princípios mais gerais da
doutrina (embora tenha defendido a
intervenção estatal em alguns casos), assegurando que o
crescente controle do estado levaria fatalmente à completa
perda da liberdade, afirmando que os trabalhistas conduziriam a
Grã-Bretanha
pelo mesmo caminho dirigista que os nazistas haviam imposto à
Alemanha.
Isso serviu de mote à campanha de Winston
Churchill, pelo Partido
Conservador, que chegou ao ponto de dizer que os trabalhistas eram
iguais aos nazistas.
A
outra vertente do liberalismo surgiu nos Estados
Unidos da América e
concentrou-se na chamada Escola
de Chicago do prof. Milton
Friedman. Combatia a
política de New
Deal do Presidente Franklin
Delano Roosevelt por ser
intervencionista e pró-sindicatos. Friedman era contra
qualquer regulamentação que inibisse as empresas e
condenava até o salário-minimo na medida em que
alterava artificialmente o valor da mão-de-obra pouco
qualificada. Também opunha-se a qualquer piso salarial fixado
pelas categorias sindicais, pois segundo ele terminavam por adulterar
os custos produtivos, gerando alta de preços e inflação.
A
crise do liberalismo e o do século XIX quando começou a
declinar lentamente. Com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York,
em 1929,
e a subsequente Grande
Depressão, a queda
foi vertiginosa. A partir daí, caiu em descrédito, ao
passo que ganharam força teorias de intervenção
do Estado na economia, notadamente as idéias de Keynes,
implementadas no New
Deal do presidente
norte-americano Franklin
Roosevelt.