A INVEJA Um sentimento que causa repulsa somente de ser pronunciado seu nome é a inveja, geralmente ligado a pessoas horríveis, de quem queremos nos afastar, repudiamos e discutimos os malefícios dela, mas na verdade, o mundo todo e todas as pessoas têm inveja, mas ela é tão sutil que raramente percebemos que sentimos. Veja: O que é a inveja? É admiração! Sim, um sentimento muito bom, e que pode nos trazer outros sentimentos sublimes como respeito, compaixão, amizade, alegria etc. Mas assim você me pergunta, quer dizer que a inveja é bom? Eu direi não! Não é bom e, aliás, é péssima, pois a inveja é sim admiração, mas a admiração com comparação! Entenda que nossa sociedade é baseada na comparação, na escola somos medidos em provas, comparando nossas respostas com as já obtidas por alguém e depois ainda compráramos entre nós, os alunos. Quando se trata de algo como matemática tudo bem, pois as respostas são exatas (embora existam mais de uma forma para chegar a um resultado), mas quando se julga a compreensão de um texto, ou quando se falam paralelos entre socialismo e comunismo, podemos discordar e entender de outra forma, mas nos obrigamos a pensar como nossos professores, pois eles nos compararão com eles mesmos para aprovar ou não nossa passagem. E fica pior a cada dia de nossa vida, uma mãe comprara um filho com outro, compara o filho com o filho da vizinha, nos comparamos com os personagens da tv, comparamos nosso carro com o do artista rico, comparamos nossa vida com a dos profetas. Estamos sempre comparando e é quase impossível não fazer comparações hoje em dia, pois se tornou uma forma pela qual o mundo gira. Reflita agora por uns instantes o quanto somos obrigados a comparar, e o quanto nos comparam a nós nossos amigos, parentes e colegas de trabalho. Funcionário do mês, estrelinhas no caderno, notas de provas, medalhas, troféus... Seleção de empregados, escolha de uma escola, escolha de uma profissão etc... Saiba que sempre que há comparação há inveja, ela pode ser sutil e não ser sentida como a conhecemos, mas mina nossas forças e sabe como? Pois fazemos para nós mesmos modelos perfeitos, tomamos como meta algo que alguém alcançou, se alcançamos ficamos felizes por alguns momentos e procuramos outras metas, podemos nos desenvolver muito dessa forma, mas será que seremos realmente Alegres? Somente você pode responder e escolher que caminho tomar. Agora e quando não conseguimos alcançar a meta que traçamos? E se a meta for realmente inatingível? Assim, nos frustramos, sentimos culpa por não ter conseguido, nos minimizamos, nos inferiorizamos, sofremos ou até mesmo fazemos sacrifícios enormes para conseguir o que almejamos, mesmo que tenhamos que sacrificar nossa alegria. Uma solução, já que não é possível acabar com a comparação, é usá-la a nosso favor: usando a autocomparação, nos conduzimos por nossas conquistas e não a dos outros, ficamos felizes por estar melhor que ontem e saber que amanha estaremos melhor que hoje, não importa se estaremos mais do que o vizinho ou menos que o primo, estaremos comemorando cada mínimo passo em nossa evolução, e fazendo isso estaremos incentivando incessantemente a fazermos cada vez melhor, melhor do que já fizemos e não melhor do que ninguém. Posse ser trabalhoso, passar da visão externa do “eles”, para o “eu”, mas será uma vitória recompensadora para sua alma, e poderá desfrutar do sentimento de admiração, e escolherá mais livremente o que seguir, as metas a serem traçados, os empregos a procurar etc. Reflita sobre você mesmo, sobre as escolhas que fez, não esconda nada de você mesmo, e principalmente não se engane. Compreenda o que é hoje e o que foi ontem, veja onde pode melhorar e onde pode ser incentivado ainda mais, pratique a autocomparação, faça isso por você e só por você. Encerrando: um conto muito antigo: Um mestre muito sábio e prodigioso estava nos momentos finais de sua vida terrena, porem demonstrava medo da morte, e seus discípulos o interrogaram sobre o motivo do temor: - Mestre! O que temes tu, que já fez grandes obras como Moisés e que foi tão sábio como Salomão! O sábio respondeu então: - Não me preocupo se fui mais ou menos que esse ou aquele. Temo que Deus me pergunte: Tu foste tu mesmo?
Mais críticas sobre A INVEJA