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Resumos e revisões curtas

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Shvoong Home>Internet E Tecnologia>Lazer E Viagens>Filme - Janela Indiscreta (2ª parte)

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Filme - Janela Indiscreta (2ª parte)

por : CarlaNunes    


Inevitavelmente, o filme não foge também a um dos mais importantes temas retratados na história do cinema, neste caso simbolizados
na objectiva de uma máquina fotográfica (e juro que não é mais do que coincidência comentar este filme poucos dias depois de ter escrito sobre Blow-Up). Até que ponto é justo e moralmente aceitável que, mais do que um olhar, uma câmara – fotográfica, de vídeo, de cinema ou qualquer outro sistema de registo visual – possa ter o direito de nos invadir a vida privada e registá-lo? E onde está a linha que separa o direito à privacidade do direito da introsão? Aqui as personagens, quando não podem ver, recorrem a binóculos ou outras lentes, na tentativa desesperada de saber o que podem encontrar a seguir. Mas será que a realidade que as lentes captam (e também com o que não conseguem captar) é suficiente para se tirarem conclusões sobre o que quer que seja? Todos estes temas são explorados por Hitchcock e incluídos na perfeição numa trama de mistério, romance e comédia capaz de agradar a qualquer espectador.
Mas além de tudo isto, não é possível comentar o filme sem referir a mestria de quem o fez. Em boa verdade, Janela Indiscreta contém alguns dos melhores momentos de realização de toda a filmografia do Hitchcock. Seja no desenvolvimento inspirado da relação entre os protagonistas (ao qual não está logicamente alheio o talento enorme dos actores que os interpretam), seja nos dispositivos visuais encontrados pelo realizador para nos pôr a par do que acontece na casa dos outros. Nunca, por qualquer instante, deixamos o quarto de Jefferies ou sabemos mais do que ele, e a câmara são os seus olhos, e por isso representam todas as suas limitações, independentemente da utilização de lentes teleobjectivas. Mas ainda mais brilhantes são algumas sequências onde este alia o excelente trabalho de câmara com as escolhas musicais, de onde resultam momentos de cinema absolutamente fantásticos. Aliás, não será demasiado forçado se daqui concluirmos que o realizador, de mais de uma forma nos diz que a arte será sempre uma das razões pela qual a vida vale a pena... ou será?
Publicado em: abril 27, 2007
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