Fernando Monteiro é escritor e jornalista. Como escritor, lançou O Grau Graumann (editora Globo, 2002), que tem o mérito de abordar e questionar – e nisso é original – a literatura de ficção no Brasil, desde seus primórdios, pondo-se também como referencial.
Em “Nobel, Nobéis” (In: Continente Multicultural. Recife: CEPE, setembro, 2002. p. 28-31), em que pese suas contribuições para a temática da premiação e das instâncias de autorização, quer me parecer que há certo tom de ressentimento. Um momento em que se pode exemplificar esse ressentimento, Fernando Monteiro afirma que, em 1998, quando a decisão ‘política’ teria sido talvez dar o prêmio Nobel pela primeira vez à língua portuguesa, foi surpreendente que preterissem a obra de um criador de mundos, do tipo popular de Jorge Amado, em favor do “mal-humorado” José Saramago. É uma coragem de valorar que só os que têm experiência no campo podem ousar ter.
Outra forte crítica corajosa que faz à Academia Sueca, responsável pelo prêmio Nobel, é nos seguintes termos: “desagradável foi a surpresa de 1992, o prêmio ‘politicamente correto’ para a afro-americana Toni Morrison, abiscoitando a láurea com alguns romances medíocres que não sobreviverão ao tempo implacável com a falta de talento branco, preto, amarelo, não importa”.