Desde os anos do liceu o estudante Orlando Ribeiro foi atraído para o conhecimento da
História, da
Antropologia, da
Etnografia, através do contacto, entre outros, com
David Lopes, seu professor, e
Leite de Vasconcellos.
Mas, o alargamento de horizontes da Geografia como ciência é também resultado do seu
espírito curioso e
independente que o levou a manter ligações com cientistas de outras áreas, onde procurou alicerces de uma
formação naturalista.
Aprendeu
geologia trabalhando no campo com
Fleury e colaborando mais tarde com
Carlos Teixeira e Zbyszewsky.
As questões de biologia, buscou-as na
medicina através de amigos como
Juvenal Esteves,
Barahona Fernandes ou
Celestino da Costa.
Com eles partilhava também a
inspiração universalista da literatura e da música, em autores como Goethe, Bach, Beethoven e Bruckner.
Orlando Ribeiro doutorou-se em Geografia pela
Universidade de Lisboa com a tese
A Arrábida, esboço geográfico .
Em 1937 seguiu para Paris como Leitor de Português na
Sorbonne, onde viria a alargar horizontes com mestres como
Marc Bloch, E. de Martonne e A. Demangeon.
De regresso a Portugal em 1940, foi nomeado Professor em Coimbra e em Lisboa.
Em 1943, fundou o
Centro de Estudos Geográficos. Da sua intensa actividade se destaca, desde 1945, uma das suas obras de síntese mais conhecidas,
Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico.
A sua
revista Finisterra , ainda hoje é
um dos veículos editoriais mais importantes para a geografia portuguesa, a nível nacional e internacional.
A colaboração científica internacional foi marcante da actividade de Orlando Ribeiro.
Em 1949 organizou em Lisboa o que seria, no pós-guerra, o primeiro Congresso da
União Geográfica Internacional.
Um professor, mas sobretudo um HOMEM de VISÃO que marcou muito a vida dos seus mestres e alunos, estes foram estimuladospara o intercâmbio com geógrafos estrangeiros, através de estágios e de viagens de investigação.
As viagens, e os trabalhos delas resultantes, são o melhor testemunho da sua actividade como geógrafo.
Elesrevelam as suas preocupações sociais com os
territórios e povos estudados.
A sensibilidade como fotógrafo, aliada à qualidade literária da sua prosa deste Viajante incansável, sobretudo em Portugal e Espanha na década de 40, e pelo Mundo fora entre 1950-1965, com destaque para o ultramar português.
Orlando Ribeiro oferece-nos leituras de muitos lugares do Mundo em que a observação científica não se desliga da natureza como um todo, dos costumes, da arte e, sobretudo, do elemento humano. Orlando Ribeiro usou sempre de uma frontalidade que, se não diminuía o respeito científico que lhe era reconhecido, também nunca facilitou as suas relações com os órgãos de decisão, desde o Estado Novo ao período pós 25 de Abril.
Por muito tempo teve, como resposta às suas opiniões, um invariável silêncio.
Contrastando com o precoce reconhecimento a nível internacional, a difusão da sua obra e as honras oficiais, no seu próprio país, surgiram muito tardiamente. De Orlando Ribeiro que podemosrever toda uma época e experiência de vida através da sua rica
prosa memorialística, recolhida e dada à estampa em:
Orlando Ribeiro: Memórias de um Geógrafo ( 2003).
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