QUERO compartilhar o aspecto mais importante de GULBENKIAN, o seu contributo para a cultura em Portugal. A sua herança esteve na origem da constituição da Fundação Calouste Gulbenkian.
Nasceu na Arménia e estudou Londres, no King's College, onde obteve o diploma de engenharia em 1887.
Quando fez uma viagem à Transcaucásia em 1891, visitando os campos petrolíferos de Baku. Publica aos 22 anos o livro
La Transcaucasie et la Péninsule d'Apchéron - Souvernirs de Voyage, do qual alguns capítulos se publicam numa revista
que chega às mãos do ministro das minas do governo otomano.
Engenheiro e hábil negociador Gulbenkian foi encarregado de elaborar
um relatório sobre os campos de petróleo do Império Otomano, em especial na Mesopotâmia e da
Socony Mobil Oil. Da divisão de dividendos a Calouste Gulbenkian caberia 5%. Essariqueza que acumulou permitiu-lhe satisfazer a
paixão pelas obras de arte.
Era um amador de arte e homem de raro e sensível gosto, além de reunir uma extraordinária colecção de arte, principalmente europeia e asiática, de mais de seis milhares de peças.
Na arte europeia, reuniu obras que vão desde os mestres primitivos à pintura impressionista.
Figuram na sua colecção obras de
Carpaccio, Rubens, Van Dyck, Rembrandt, Gainsborough, Romney, Lawrence, Fragonard, Corot, Renoir, Boucher, Manet, DEgas, Monet e muitos outros. A
Além da pintura, reuniu um importante espólio de escultura do antigo Egipto, cerâmicas orientais, manuscritos, encadernações e livros antigos, artigos de vidro da Síria, mobiliário francês, tapeçarias, têxteis, peças de joalharia de René Lalique, moedas gregas, medalhas italianas do Renascimento, etc.
Foi desejo de Gulbenkian que a colecção que reuniu ao longo da vida ficasse exposta num mesmo local.
A sorte coube a Lisboa onde em 1969 é inaugurado o espaço onde se encontra o edifício-sede da Fundação Calouste Gulbenkian, que inclui o
Museu onde se encontra esta colecção permanente, além de um
Centro de Arte Moderna,
salas de conferência,
biblioteca,
dois auditórios e
jardins.
Gulbenkian deixou em testamento e com generosidade a sua fortuna. Para caridade, deixou verbas para especial protecção das comunidades arménias.
Foi benfeitor do Patriarcado Arménio de Jerusalém.
Como era devoto da Igreja Arménia, fez construir em Londres a
Igreja de São Sarkis, dedicado à memória dos seus pais e onde se encontram as suas cinzas.
A escolha de Lisboa foi por um infeliz acontecimento, dado que ficou doente, aquando da sua visita em 1942, a convite do embaixador de França, em Portugal.
Inicialmente, Lisboa seria apenas uma escala numa viagem a Nova Iorque. Sentindo-se bem acolhido numa Lisboa tranquila, estabelece residência permanente em Lisboa, no Hotel Aviz. Acaba por se instalar definitivamente até à sua morte em 1955.
A fundação com o seu nome que ficou herdeira do remanescente da sua fortuna, e que tem fins caritativos, artísticos, educativos e científicos, escolhendo Portugal para sua fixação - agradecendo, postumamente, o acolhimento que teve num momento crítico da história da Europa e sabendo o respeito que em Portugal haveria pelo escrupuloso cumprir das suas vontades.
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