Pontos de queimada detectados
Na Amazônia, os pontos de
queimadas detectados ao longo de 2005 em Terras Indígenas 6.694 foram muito superiores aos constatados nas Unidades de Conservação 1.592. O total das queimadas observadas em áreas
protegidas 8.286 representou 5,13% do total detectado na região. E o Mato Grosso apresentou o maior número de queimadas em áreas protegidas 2.101. Isso representa 4,25% do total de queimadas desse estado 49.359 em 2005, seguido de perto pelo Pará, com 1.903 queimadas detectadas em áreas protegidas para um total de 45.243 observadas nas áreas não protegidas 4,20%.
O Mato Grosso segue o campeão absoluto em termos de queimadas entre os estados da Amazônia, tanto nas áreas protegidas como nas não protegidas, no que pese a redução ocorrida em 2005.
Os valores de queimadas estão diretamente vinculados às superfícies das áreas protegidas e de cada Estado. Para fins de comparação espacial intra-regional, os dados foram ponderados pelos valores de superfície de cada área protegida, obtendo-se uma densidade de pontos de queimadas por 1000 km2, equivalente a um quadrado de cerca de 33 km por 33 km.
No Mato Grosso, o índice ou a densidade de queimadas é bastante elevado 15,66 e representa 30% do obtido nas áreas agrícolas. O Maranhão foi o recordista em densidade de queimadas em áreas não protegidas da Amazônia 93,30, seguido por Rondônia 74,12 e Mato Grosso 54,55. No Maranhão, a densidade de pontos de queimadas em áreas protegidas é muito elevada 47,99, apresentando valores praticamente idênticos nas Terras Indígenas 48,59 e Unidades de Conservação 46,15. O pior é que entre 2004 e 2005, a densidade espacial das queimadas diminuiu nas áreas não protegidas e aumentou nas protegidas na Amazônia!
As queimadas são um indicador sintético de atividades humanas multiformes nas diversas áreas protegidas amazônicas. Elas vêm sendo monitoradas pela Embrapa Monitoramento por Satélite há mais de uma década.
Uma análise, realizada com base em imagens dos satélites LANDSAT e CBERS, indica: as queimadas em Áreas Protegidas atingem áreas muito maiores do que na agricultura. Queimadas em territórios indígenas situados no bioma cerrados, como no Norte do Estado Pará na fronteira com o Suriname, na Ilha do Bananal no Estado de Tocantins e na Chapada dos Parecis no Mato Grosso, por exemplo, estão entre as maiores do Brasil, são verdadeiros incêndios e podem atingir centenas de quilômetros, algo inimaginável em áreas agrícolas.
A situação ambiental de diversas áreas protegidas na Amazônia é mais crítica do que os dados de queimadas deixam entrever. Queimadas agrícolas só serão eliminadas com uma agenda positiva que leve aos produtores alternativas tecnológicas viáveis ao uso do fogo na agricultura. Mudanças no uso das terras também podem ajudar. Nos locais onde a soja e o plantio direto consolidaram-se no Mato Grosso, por exemplo, as queimadas diminuíram. Ainda assim, nenhum Estado, nem ninguém, pode cantar vitória nessa matéria, tão complexa. Por mais que todos desejem uma verdadeira vitória contra essa prática do Neolítico. Mais de 5 mil títulos e requerimentos para mineração incidem sobre as Terras Indígenas da Amazônia Brasileira. Enquanto empresas de mineração aguardam a regulamentação da atividade nessas áreas - atualmente proibida -, inúmeras invasões garimpeiras em Terras Indígenas geram desastrosas conseqüências para os povos indígenas, para os invasores e para o meio ambiente.
Em alguns casos de desmatamento, os agricultores e pecuaristas já ocupavam esses locais antes mesmo da decretação dessas áreas protegidas. São situações freqüentes nos vales do Araguaia, do Gurupi e do Guaporé, por exemplo. Existe uma presença difusa, mais recente e crescente de pequenos agricultores - originalmente sem terra - em diversas áreas protegidas. Elas também são exploradas na criação de bovinos por fazendas e pequenas propriedades situadas no entorno, principalmente no caso de áreas protegidas situadas no bioma dos cerrados elavrados na Amazônia.
Um indicador bastante preciso da presença de atividades humanas em áreas protegidas é a prática de queimadas. A agricultura amazônica utiliza as queimadas como uma tecnologia agrícola em diversos sistemas de produção. O fogo também é praticado por muitos grupos indígenas como técnica agrícola e da caça. Contudo, a grande maioria das queimadas amazônicas tem origem nas atividades agrícolas. No vasto domínio das diversas agriculturas existentes na Amazônia Legal, o fogo pode estar associado ao desmatamento, à renovação de pastagens, ao manejo de capoeiras, à eliminação de resíduos agrícolas, ao controle de pragas, à colheita da cana-de-açúcar e do algodão, ao controle de carrapatos e outros ectoparasitas dos rebanhos, etc.
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