O Trio Elétrico Carnal, lúdico, dilacerador, espiritualizado, físico, o Carnaval da Bahia é a maior festa urbana do Brasil, criada e mantida pelo povo. Uma manifestação espontânea, criadora, livre, pura, onde todos são—com maior ou menor competência—sambistas, frevistas, loucos dançarinos, na emoção suada atrás do som estridente, eletrizante, do trio. Ou no ritmo calmo, forte, tranqüilizante, orientalizado, do afoxé, incorporado num só movimento. Um ato de entrega, de transe e êxtase, de liberação de todas as tensões reprimidas e da envolvência absoluta entre o real e o fantástico, capaz de, num único e frenético impulso, balançar o chão da praça.
Na Bahia, são cinco dias de folia, que começa na sexta-feira, quando o Rei Momo recebe, em praça pública, as chaves simbólicas da cidade, depois de desfilar, em carro aberto, com a rainha e princesas, pelas ruas centrais da cidade. A ordem de alegria geral do Rei é cumprida literalmente e o delírio começa quando aparece ao longe, descendo a ladeira no sentido da praça Castro Alves, o primeiro trio elétrico. A impressão que se tem é que todas as cabeças do mundo avançam em volta do objeto luminoso e o povo se deixa possuir pelo som eletrico do dono da rua, o maior símbolo desse_Carnaval.
O trio e a praça Castro Alves são o Carnaval. A praça é o maior momento do trio, o território livre, o clímax. Se o trio pode tudo, na praça tudo é possível. A história do trio é bem anterior, apesar da praça já existir. Mas não se transavam. Foi o poeta Caetano Veloso que redimensionou o som do trio, e do próprio Carnaval, a invenção do diabo que Deus abençoou, e determinou: A praça Castro Alves é do povo, como o céu é do avião. Caetano queria um frevo novo e teve mais que isso: uma artistas, intelectuais e do povo, os reais tietes do som do trio elétrico. O trio elétrico de Dodô e Osmar fez escola. Dodô morreu e está ausente do Carnaval desde 1979, sendo substituído por Armandinho, filho de Osmar, que sempre afirma que quando morrer quer ser levado por todos os trios no cortejo fúnebre mais alegre que já se viu. A mesma busca de perfeição acompanha o trio elétrico Tapajós, há mais de 20 anos animando o Carnaval baiano, sendo que, ao longo desse tempo, já conquistou dois tricampeonatos. O trio Tapajós surgiu em 1959, no subúrbio de Periperi,ele surgiu em 62 quando, pela primeira vez, foi ao centro da cidade. Hoje, ele é uma empresa. Mantém cinco carros sendo que apenas um permanece em Salvador e os outros vão para o sul do País.
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