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Resumos e revisões curtas

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Anos Perdidos

por : BarbaraTavora    

Autor : Rodrigo Constantino
Raras vezes na história o mundo viveu um período econômico tão benigno.
O crescimento global tem sido espetacular,
principalmente para os
mercados emergentes. A performance brasileira, quando comparada com o
restante, é pior que medíocre. A miopia do povo, entretanto, faz este
perceber apenas o crescimento absoluto do país, ignorando o restante do
mundo. Quando a comparação torna-se inevitável, os governistas logo
apelam para inúmeras escusas – todas apenas falácias. A verdade é
insofismável: o Brasil está atolado num lamaçal criado pelo modelo de
Estado, completamente inchado e custoso.
Os dados não mentem.
Desde 2000, o PIB brasileiro cresceu uma média de 2,5% ao ano.
Conseguiu ficar abaixo da América Latina, que cresceu 2,7% ao ano neste
período, contando com o peso morto da Argentina, que enfrentou uma
grande crise no caminho. O Leste Europeu cresceu 5,3% ao ano desde
2000, enquanto a Ásia emergente cresceu 7% ao ano. A média dos mercados
emergentes, ponderada pelo tamanho da economia, foi de 5,6% ao ano
desde 2000. A China cresceu 9,3% ao ano, e a Índia cresceu 6,3% ao ano.
Não importa com quem comparamos o Brasil, o resultado é o mesmo: uma
performance patética.
Alguns falam que a China está em outro
estágio de desenvolvimento, saindo de uma base muito baixa. Aí
mostramos que o Chile cresceu 4,4% ao ano desde 2000, muito acima do
Brasil. Rebatem que o Chile não conta, pois é pequeno demais. Mostramos
então o crescimento russo, de 6,7% ao ano. Falam então que a Rússia tem
o petróleo. Usamos então a Venezuela, que padece de males similares aos
nossos, tendo crescido apenas 2,4% ao ano, não obstante todo seu ouro
negro. E a eterna busca de fugas para não enfrentarem a dura realidade
prossegue.
Defensores de um modelo mais frouxo de política
monetária, dispostos a aceitarem um pouco mais de inflação, colocam a
culpa nos altos juros, ignorando que estes são conseqüência, não causa
dos problemas. Aderem à uma falsa dicotomia entre inflação e
crescimento. Mostramos então que o Brasil teve uma inflação anual de
8,1% desde 2000, enquanto a Ásia emergente, com crescimento muito
superior, apresentou inflação de apenas 2,6% ao ano. A média ponderada
dos países emergentes foi de 6,3% ao ano, abaixo da inflação
brasileira, ainda que com crescimento econômico bem maior. O Chile,
nosso vizinho responsável, mostrou inflação de 2,8% ao ano desde 2000.
Melhor os “desenvolvimentistas” procurarem alguma outra desculpa
esfarrapada qualquer.
Quais as causas dessa performance pífia
então? São muitas, claro. Mas podemos resumi-las de forma objetiva em
uma única expressão: hipertrofia estatal. Nosso modelo de
social-democracia esgotou-se. Desde o advento da democracia,
governantes tentam replicar o “welfare state” escandinavo num país
miserável e sem liberdade econômica. A demanda social reprimida criou
uma tentação irresistível para populistas de plantão, que oferecem mais
e mais privilégios sem preocupação com quem paga a conta. A burocracia
é asfixiante, a previdência é explosiva, o assistencialismo é enorme e
a gastança estatal não tem limites. Faltam recursos para investimento
em segurança, necessária para um ambiente favorável aos negócios, e
acabam os incentivos aos investimentos privados. O país vira uma guerra
de grupos de interesses, todos lutando para apoderar-se de uma fatia
maior de um bolo cada vez menor. São milhões para os criminosos do MST,
são milhões para as aposentadorias dos servidores públicos, são milhões
para as viagens dos políticos, são milhões para a propaganda estatal,
são milhões para as esmolas, são milhões desviados em corrupção etc. Os
hospedeiros que pagam os impostos não conseguem mais carregar tanto
peso.
O reflexo desse modelo perverso, concentrando poder e
recursos em demasia no Estado, aparece em alguns indicadores
importantes. Os gastos gerais do governo estão chegando a 40% do PIB no
Brasil. Esse valor está mais perto dos 30% para a média da América
Latina e 20% para a Ásia emergente ou Chile. A dívida bruta consolidada
do governo fechou o ano de 2005 praticamente em 75% do PIB. A média do
Leste Europeu está em 40% do PIB, e nem chega a tanto na Ásia
emergente.
Não podemos mais negar os fatos. A economia
brasileira não está nada bem. Estamos com os braços amarrados pela
enorme burocracia estatal, enquanto os pés estão atolados nos
exorbitantes impostos. Enquanto isso, a globalização e o progresso
tecnológico vão abrindo avenidas rumo ao crescimento para os países que
fazem o dever de casa. O Brasil, uma vez mais, fica para trás,
afundando na areia movediça criada pelo excesso de Estado. São anos
perdidos, que não se recuperam mais. O triste é olhar para a frente e
ver que as chances de mudança para melhor nos nossos pontos fracos são
muito baixas. Quase todos os candidatos falam em aumento de gastos
públicos ou recusam-se a atacar as raízes dos problemas, não propondo
reformas estruturais amargas porém necessárias. Se os ventos de fora
mudarem de direção, os anos perdidos tornar-se-ão décadas perdidas.
Publicado em: julho 19, 2006
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